A condição periférica brasileira na era do capital especulativo pós 1994: estágio superior da dependência

Autores: 
Fernando Augusto de Assis

Resumo

Este artigo tem por finalidade contribuir à compreensão das transformações do capitalismo dependente brasileiro a partir de 1994, quando se estabelece o processo de consolidação do modelo neoliberal através do Plano Real, analisando os novos mecanismos de apropriação privada do excedente econômico e as relações sociais que organiza, tendo como enfoque o crescente protagonismo dos capitais fictício e parasitário. Para tanto, pretende avançar sobre a hipótese de que a crescente inserção do capital fictício e a enorme dívida pública/privada exigem, ao mesmo tempo em que possibilitam, três processos interconexos e dinâmicos: em primeiro lugar, o aumento da fetichização/obscurecimento das relações sociais que organizam a apropriação privada do excedente econômico; em segundo, a importância de estruturas supra individuais de apropriação da mais-valia (especialmente o Estado), da qual a dívida pública (e o capital fictício ligado a ela) seria um exemplo; em terceiro, a paulatina especialização produtiva nacional em função do chamado rentismo. Partimos do pressuposto de que se trata de fenômeno estrutural que explicita o aumento e a atualização da dependência da economia brasileira, e que atua indissociavelmente à precarização das condições de vida dos trabalhadores.