Alí Rafael Primera Rossell

Ali Primera foi um músico, poeta, compositor e ativista político comunista venezuelano. Nasceu em Coro, em Falcón, no dia 31 de Outubro de 1942, e faleceu em Caracas, dia 16 de Fevereiro de 1985.

JUVENTUDE

Batizado como Alí Rafael Primera Rossell por seus pais Antonio Primera e Carmen Adela Rossell. Pobre desde o berço e órfão de pai aos três anos. Seu pai, quem trabalhava como funcionário em Coro, morreu acidentalmente durante um tiroteio ocorrido durante a tentativa de fuga de alguns prisioneiros da cadeia da cidade (1945). Devido à morte de seu pai, sendo ainda muito jovem, Alí acompanhou sua mãe e seus dois irmãos em uma peregrinação por diferentes povos da península de Paraguaná que incluíram San José, Caja de Agua, onde termina sua educação primária; Las Piedras e finalmente, o bairro de La Vela, hoje conhecido como Sector Alí Primera no Município de Los Taques, próximo de Punto Fijo. Neste povoado, dada a miséria em que viviam Alí e sua família, vem a desempenhar várias atividades: desde engraxate aos seis anos de idade até boxeador, trabalhos que não o desanimam para continuar seus estudos.

Em 1960, em busca de melhoras em sua qualidade de vida, ele e sua família se mudam para Caracas, onde se inscreve no “Liceo Caracas” para completar sua educação. Em 1964, depois de se formar no colegial, ingressa à Universidad Central de Venezuela, para estudar química na Faculta de Ciencias. Durante sua vida universitário, nos pátios desta máxima casa de estudos, iniciou a carreira como cantor e compositor, primeiro por diversão, e paulatinamente, como uma atividade de tempo integral. Suas primeiras canções, Humanidad e No basta rezar, apresentada esta última no Festival de la Canción de Protesta organizado pela Universidad de Los Andes (1967), o projetaram à fama.

CANTOR DO POVO

Entre 1969 e 1973 permanece na Europa graças a uma bolsa que lhe outorga em 1968 o Partido Comunista de Venezuela (PCV) para continuar seus estudos na Romênia. Na Europa, para garantir o sustento, lavava pratos e eventualmente conseguia cantar em lugares em que se respeitava seu trabalho. Em um estúdio na Alemanha grava seu primeiro disco, entitulado Gente de mi tierra. As composições de Alí, relembrando o sofrimento do povo desgastado pela pobreza e pela desigualdade social, rapidamente caem no gosto do público e ele se converte no “Cantor do povo”.

Contudo, ainda que em pouco tempo os setores mais necessitados da sociedade venezuelana se indentificaram com suas canções, Alí foi objeto de um veto por parte dos meios de comunicação e do governo de então na Venezuela, devido ao radicalismo dos temas expostos nas mesmas, o que o levou a fundar seu próprio selo discográfico, Cigarrón, para buscar difundir as suas composições. Para a distribuição comercial das mesmas, se apoia na companhia discográfica Promus.

“Na Europa o mundo me fazia pequeno mesmo com os latino-americanos. Eu lavava pratos por não vender minhas canções e às vezes lograva cantar em locais onde realmente se respeitava minha canção...”, diria anos depois sendo já uma personalidade no mundo da música.

Após militar na Juventud Comunista de Venezuela (JCV) e no Partido Comunista de Venezuela (PCV), colaborou no começo político de um novo partido denominado Movimiento al Socialismo (MAS), acompanhando e trabalhando durante a primeira campanha eleitoral de José Vicente Rangel (1973), ainda que jamais tenha deixado de ser militante do PCV. Por aqueles dias, já figurava como um dos principais compositores e cantores populares não só do país, mas como da América Latina. Desde 1973 até a data de sua morte, gravou 13 discos de longa duração e participou em numerosos festivais em toda a América Latina. Entre as canções mais conhecidas de Alí se encontram Paraguaná, paraguanaera, José Leonardo, Techos de cartón (esta canção tendo sido regravada por outros cantores latino-americanos, como Soledad Bravo, Guanaguá, Lops Caraguaos e o cantor mexicano, Marco Antonio Solís), Cruz Salmerón Acosta (dedicada ao poeta venezuelano de mesmo nome), Reverón (em memória do pintor Armando Reverón), Flora y Ceferino, Cancion mansa para um Pueblo bravo (tema musical do filme homônimo), e Sobrero azul dedicada ao povo salvadorenho.

Alí se apresentou em fábricas, colégios, sindicatos, e frequentava a Aula Magna da Universidad Central de Venezuela, sua casa de estudos. Se valeu de um bom gosto e notável intuição, sem deixar de lado uma boa dose de audácia, para compor melodias que eram um chamado ao combate. Seu canto se multiplicou em defesa da humanidade.

Dois grandes estudiosos de Alí Primera, Jesus Franquis e André Castillo, coincidem que, ainda que sua obra tenha sido considerada como parte da canção de protesto que frutificou na Venezuela entre 1970 e 1980, Primera insistiu em denominá-la sempre como Canção Necessária.

O próprio Alí assinalou em uma entrevista: “Nosso canto não é de protesto, porque não fazemos uma canção por malcriação, não a tomamos para engrandecer-nos, nem fazer-nos milionários, é uma canção necessária”. E adicionou: “Cada dia nos motiva a fazê-la mais profunda, pois um homem armado de uma canção e uma poesia humana é um homem desarmado para a inveja e para ser um homem mau”. “Não canto porque existe a miséria, mas sim porque existe a possibilidade de apagá-la, de erradicá-la da face da terra”.

Em Barquisimeto conhece a sua futura esposa (Sol Musset), que havia acabado de ganhar o concurso “La Voz Liceista” e se apresentava no festival “Los Venezolanos Primero” no ano de 1977. Ademais das duas filhas que havia tido com Tarja Osenius em sua viagem à Suécia, María Fernanda “Shimpi”, hoje residente no Canadá, e María Angela “Marimba”, e de Jorge, filho da Srª Perez, teve mais quatro filhos com Sol Musset: Sandino, Servando, Florentino e Juan Simón.

Com o correr dos anos, as perseguições políticas se multiplicaram, os atentados passaram a ser mais frequentes. Sua morte ocorreu em 16 de Fevereiro de 1985 em um lamentável acidente automobilístico, ocorrido na Rodovia Valle-Coche de Caracas, envolvendo de luto ao povo venezuelano.

LEGADO

Alí é considerado por seus fãs a alma do povo latino-americano e o guia perfeito para uma revolução baseada na canção, na poesia e nas ações, como o mesmo disse em sua música, “no basta rezar”: “pero nos dice la historia que sin acción no se avanza” e outras frases como as seguintes:

A veces pienso que todo el pueblo, es un muchacho que va corriendo tras la esperanza que se le va, la sangre joven y el sueño viejo, pero dejando de ser pendejos esa esperanza será verdad”.
De: Canción Mansa Para un Pueblo Bravo

“La inocencia no mata al pueblo pero tampoco lo salva, lo salvará su conciencia y en eso me apuesto el alma”.
De: Coquivacoa (ó Pare Primo La Canoa)

“Sí la lucha por la libertad se dispersa, no habrá victoria popular en el combate”.
De: Canción Bolivariana

“Vamos que el camino es largo pero lo acorta el empeño que le pone el pescador cuando va moviendo el remo y recuerda la verdad que a su alma maravilla. A Dios rogando pero remando hasta llegar a la orilla”.
De: La Patria Buena

“Galopa, galopa pronto cruzaras el hermoso río de la Libertad”.
De: Piraña con dientes de oro

“Que no muera la esperanza, el combate ni el amor”.
Alí Primera

“Los que mueren por la vida no pueden llamarse muertos”.
De: Los que Mueren por la vida

“Hacen falta muchos golpes para matar al chiripero y con uno solamente se mata la cucaracha apréndete la guaracha y lucha por la unidad que toda la gente va con la esperanza en la mano buscando darle a la Patria caminos de dignidad buscando darle a la Patria caminos de dignidad”.
De: La Patria Buena

“La patria es el hombre”.
De: La Patria es el Hombre

“Nosotros hagamos la historia y que otros la escriban en un mundo mejor. buscar, buscar la lucha adentro por transformar al mundo significa amor”.
De: El despertar de la historia

¿Cuál es la lucha de los hombres para lograr la paz? ¿Y cuál paz? Si quieren dejar al mundo como está Ayúdenla, ayúdenla que sea humana la humanidad”.
De: El despertar de la historia

“El que has sido marinero cuando ve la mar suspira y el que vive en la oscurana con mucha luz se encandila”.
De: Abrebrecha

“No, no basta rezar hacen falta muchas cosas para conseguir la paz”.
De: No basta rezar

“En el mundo no habrá paz mientras haya explotación del hombre por el hombre y exista desigualdad del hombre por el hombre y exista desigualdad”.
De No basta rezar

“Cuando el pueblo se levante y que todo haga cambiar ustedes dirán conmigo no bastaba con rezar ustedes dirán conmigo no bastaba con rezar”.
De: No basta rezar

DISCOGRAFIA

Ano/Título

1969 . Vamos Gente De Mi Tierra
1969 . Canciones de protesta
1971 . Guerra Larga
1972 . De Una Vez (Canciones del Tercer Mundo - Para Un Solo Mundo)
1974 . Lo Primero de Alí Primera
1974 . Alí Primera, Volumen 2
1974 . Adiós en dolor Mayor
1974 . Canción Para Los Valientes
1975 . La Patria Es El Hombre
1976 . Canción Mansa Para Un Pueblo Bravo
1977 . Cuando Nombro La Poesía
1980 . Abrebrecha
1981 . Al Pueblo Lo Que Es De César
1982 . Con El Sol A Medio Cielo
1984 . Entre La Rabia Y La Ternura
1985 . Por Si No Lo Sabía (álbum póstumo)
1986 . Alí ¡En Vivo! (álbum póstumo)

OUÇA A CANÇÃO DE ALÍ PRIMERA EM HOMENAGEM A CHE GUEVARA