Abcam e governo firmam acordo,mas a luta não acabou

28 de Maio de 2018, por Elaine Tavares


Associação Brasileira dos Caminhoneiros assinou na noite desse domingo um acordo com o governo federal e já está solicitando que a categoria levante os bloqueios. No acordo, o governo se compromete a subsidiar a redução dos $ 0,46 – que equivale a retirada do PIS, Cofins e Cide  - no preço do diesel até o final do ano.

A reunião foi realizada na Casa Civil e a Associação Brasileira dos Caminhoneiros assinou o documento representando os caminhoneiros autônomos. Segundo nota divulgada na página da Abcam, “A Abcam considera o acordo assinado como uma vitória, já que o acordo anterior previa uma redução de 10% por apenas 30 dias. Entretanto, a Associação acredita que até dezembro deste ano o Governo encontre soluções para que essa redução seja permanente”.

Os pontos acordados foram: 
- Redução até 31/12/18 de R$0,46 no preço diesel,
- Congelamento dos preços do diesel por 60 dias,
- Após os 60 dias, os reajustes no valor aconteceram a cada 30 dias, o que permitirá certa previsibilidade do transportador para cobrança do valor do frete
- Extinção da cobrança de pedágio por eixo suspenso em rodovias federais, estaduais e municipais;
- Tabela mínima de frete
- Determinação para que 30% dos fretes da Conab sejam feitos por caminhoneiros autônomos

As Medidas Provisórias foram divulgadas ainda ontem à noite em uma edição especial do Diário Oficial e já estão valendo. As multas aplicadas durante as manifestações também foram canceladas tanto para os caminhoneiros como para as entidades. Com base nisso, então, a Abcam já está se mobilizando no sentido de levantar os bloqueios. Caso a associação consiga convencer os caminhoneiros de que o acordo foi bom a greve deve começar a se desmobilizar ainda hoje. O governo tem pressa porque já está anunciada a greve dos petroleiros para essa semana.

A greve dos caminhoneiros já paralisa o país por mais de semana e nesse meio tempo não conseguiu agregar mais entidades. As centrais sindicais não chamaram greve e apenas os petroleiros conseguiram realizar algumas intervenções junto aos caminhoneiros. Eles buscam explicar que a questão do preço do diesel é um pouco mais complexa e está radicalmente vinculada a como a Petrobras vem sendo administrada, sem qualquer compromisso com o povo brasileiro. 

Durante o movimento dos caminhoneiros o que se tem visto nas redes sociais é um certo sentimento de vingança contra a categoria que se mobilizou para o “Fora Dilma” e em cujas fileiras estão muitos dos adeptos da intervenção militar, sem que seja levado em conta toda a complexidade do processo e a grande oportunidade que estava dada para aprofundar o debate das lutas dos trabalhadores e a defesa da Petrobras pública.  Houve tentativas isoladas de diálogo com os caminhoneiros, mas no geral, sindicatos e movimentos viraram as costas à greve. 

Observando o acordo fechado ontem à noite, o que se percebe é que na verdade quem vai pagar por essa redução do diesel é a população como um todo, visto que os impostos serão subsidiados, ou seja, dinheiro público será drenado para os empresários. 

Na próxima quarta-feira começa a paralisação dos petroleiros que justamente discutem a questão do petróleo, pré-sal e Petrobrás de uma forma mais aprofundada, para além da aparência do preço, e certamente estarão sozinhos nessa empreitada, sem apoio popular. A mídia comercial dirá que a greve é política e não poupará os trabalhadores. Ou seja, tudo como sempre foi.  

O ponto mais importante da batalha na Petrobras seria a imediata saída de Pedro Parente, um homem que administra a empresa para as multinacionais do petróleo e não para o país, a retomada do refino do petróleo no Brasil, o desatrelamento dos preços internacionais e o fortalecimento do Fora Temer. Mas, caso a greve dos caminhoneiros seja levantada, essa reivindicação fica mais longe de ser alcançada. Aceito o acordo, toda a importante mobilização dos caminhoneiros que parou o país terá servido apenas para garantir uma pauta bem particular: a redução do preço do diesel que só beneficiará a categoria e por pouco tempo.

É certo que muitos caminhoneiros, que não reconheceram o primeiro acordo, podem igualmente não reconhecer o de ontem a noite e continuar com os bloqueios. Os fatos ainda estão se desenrolando nas estradas.