Bolívia devolve dinheiro ao FMI

19 de Fevereiro de 2021, por IELA

Novo governo rechaça FMI em nome da soberania dos bolivianos
Novo governo rechaça FMI em nome da soberania dos bolivianos

Durante o governo da golpista Jeanine Añez foi contratado, junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), um crédito de 346,7 milhões de dólares que a população boliviana rechaçou e que o novo governo agora decidiu devolver.  Esse crédito foi decidido de maneira ilegal porque não foi aprovado pela Assembleia Nacional, à época controlada pelo MAS. Segundo o Banco Central o contrato é irregular além de extremamente oneroso ao estado. Para se ter ideia, só nos nove meses que durou o tal acordo,  até fevereiro,  o crédito contou com um adicional de 24 milhões de dólares, dos quais 19,6 milhões são de variação cambial e 4,7 milhões pagos a comissões e juros. 

Tão logo assumiu o governo, depois do golpe, a presidente ilegítima retomou os contatos com o órgão internacional que havia sido banido do país por Evo Morales por praticar políticas contrárias aos interesses da população. Assim, em abril de 2020, na gestão do então ministro da Economia José Luis Parada, um acerto foi feito e anunciado como uma "assistência financeira" aprovada pelo FMI para ajudar o país a enfrentar as necessidades da balança de pagamento derivadas da pandemia e dos gastos médicos necessários para o enfrentamento da doença. Mas, em vez de ajudar ao país, o Banco condicionou o crédito com uma série de imposições fiscais, financeiras e monetárias que tornaram ainda mais vulnerável a soberania e os interesses do povo boliviano. 

Agora, voltando à política de não permitir mais a exploração do povo boliviano por parte do organismo bancário internacional, o Banco Central devolveu os créditos e já entrou com os processos administrativos, civis e penais contra os atuais e os ex-trabalhadores públicos que participaram dessa negociação e aprovaram o financiamento que causou sérios prejuízos ao estado.