Bolivianos vão às ruas nessa terça-feira

27 de Julho de 2020, por Elaine Tavares


A Central Obrera Boliviana (COB) convocou as organizações sociais, sindicais, indígenas, camponesas, comunitárias e de juventude para uma grande marcha nessa terça-feira, dia 28 de julho, na qual pretendem protestar contra mais um adiamento das eleições gerais no país. 

Depois de a presidenta golpista ter anunciado as eleições para o dia seis de setembro, o Tribunal Supremo Eleitoral decidiu postergá-las para 18 de outubro causando revolta na população.

Como é sabido, a Bolívia vive sob um golpe de estado – desde novembro do ano passado - arranjado com o apoio dos Estados Unidos que não aceitaram o resultado das últimas eleições, as quais deram vitória a Evo Morales. Com o apoio da elite local e das Forças Armadas, foi apontada uma quase desconhecida, Jeanine Añez, para assumir o cargo de presidenta interina. Ela deveria simplesmente conduzir novas eleições, mas acabou ficando. Sob seu comando a Bolívia vem apertando o cerco contra lideranças do movimento popular e sindical e também aprofundando as ações de cunho autoritário que mostram ser ela apenas uma marionete dos militares, que são os que realmente mandam. 

Com a chegada da pandemia, as eleições, que deveriam acontecer em maio, foram suspensas e foi só depois de muita pressão social que Añez anunciou o pleito para setembro. Agora, com mais um adiamento, os movimentos sociais e partidos políticos de oposição já preveem a continuidade da presidenta golpista no poder sabe-se lá até quando, pois novos adiamentos podem ocorrem enquanto outras medidas autoritárias vão sendo tomadas. 

Não bastasse tudo isso, a pandemia está cobrando um preço bastante elevado na Bolívia, tanto que na última semana foram registradas quase 400 mortes de pessoas, em suas próprias casas, justamente porque não encontram amparo no sistema de saúde.

Assim,  a marcha dessa terça-feira deve reunir não apenas os que estão descontentes com o adiamento das eleições, mas também os que lutam contra o governo golpista e sua incompetência diante da crise. O governo também já está anunciando que pode haver ações policiais e judiciais com as lideranças das marchas.