Caminhoneiros do Brasil, uni-vos!

24 de Abril de 2019, por Sylvio Massa de Campos


A renda média anual do americano do norte em 2017, caminhoneiro ou não, foi de U$59.500,00 e a do brasileiro médio, anual,caminhoneiro ou não, foi de U$9.821,41. 

Fica evidente que a fixação do preço do diesel, o sangue de sua atividade, com base na cotação do mercado norte americano, afetará o caminhoneiro brasileiro, e ao longo do tempo, das jornadas  de trabalho estafantes, sua renda será atingida e inevitavelmente reduzida, caso o valor do frete e dos impostos não sejam corrigidos proporcionalmente àquela elevada cotação. 

A injustificável política adotada pela atual direção da Petrobras, sob o ponto de vista do cidadão brasileiro, visa transferir renda dos caminhoneiros ou do simples consumidor de combustível, para a geração de lucros da empresa e oferecer garantia para os  pagamentos dos dividendos  dos acionistas,em particular dos estrangeiros que já detêm cerca de 44% do seu capital social. 

É injustificável ainda, por sermos também proprietários do petróleo bruto, descoberto e explorado e produzido  a um nível muito vantajoso de preço e refinado a um custo apropriado em padrões internacionais e  compatível  com a  renda dos brasileiros e  assim fornecendo  resultados financeiros que sustentam o conjunto de investimentos da Petrobras em favor do desenvolvimento do país. 

O Presidente Bolsonaro  comete grave erro ao afirmar que não “pode” alterar essa danosa política, que fere os interesses do país. Sabe ele que os caminhoneiros possuem organização e espírito de luta, já demonstrados, e que têm consciência politica do que estão fazendo contra as nossas futuras gerações .

O atual presidente da Petrobras disse, em coletiva, que não quer mais ouvir falar em preço de diesel. Por essa razão e por outras de cunho ideológico, quer privatizar o parque de refino da Petrobras, para dividir com outros as  reclamações. Sabe ele que os grupos multinacionais podem comprar as nossas refinarias com um objetivo: Reduzir o nível de processamento – o que já foi realizado, em parte - ou mesmo fechá-las! Assim, estaria garantida a importação de derivados de suas instalações, de seus países ,a manutenç dos empregos e a remuneração de sua força de trabalho.

Também, como consequência, o mercado de distribuição dos combustíveis gerido pela Petrobras seria reduzido. 

Para os ouvidos tão sensíveis do presidente da Petrobras  resta a porta de sua substituição por um General da Ativa que queira defender essa nossa riqueza tão arduamente construída ao longo dos 65 anos de sua existência. E que não se repita o exemplo do governo chileno que manipulou a população contra os seus caminhoneiros, em suas greves defendendo o interesse do país. Resulta sempre em tragédia e nunca em comédia,como  registra a História.

 

Sylvio Massa de Campos é Economista aposentado da Petrobras, Ex-Superintendente de Distribuição
Ex-Diretor da Petrobras Distribuidora .