Dussel e o dia dos mortos

7 de Novembro de 2017, por Enrique Dussel

Tradição mexicana festeja os mortos
Tradição mexicana festeja os mortos

No México, em dois de novembro, acontece a celebração do dia dos mortos, que é uma festa popular extremamente significativa como processo de resistência ao cristianismo colonial (onde ela, a morte, acompanha a existência quotidiana do berço ao túmulo). No entanto, é mantido nas oferendas o núcleo ético-mítico da ressurreição (porque a vida vence a morte). A Filosofia da Libertação parte dos textos do julgamento final de Osíris. 

O deus da ressurreição egípcio, há 3000 anos antes da era comum, chamou o morto e perguntou: 

- O que você fez de bom para merecer uma ressurreição? 

- Dei pão ao faminto, de beber ao sedento, vesti o que estava nu, dei um barco ao peregrino.

- Porque lhe deste de comer? Perguntou Osíris. 

- Se não comesse não poderia reporás energias, e estaria morto; se no deserto não tomasse água se desidratava e morria; se perdia a temperatura e não tinha casaco, morria; se não tinha um barco para se transportar, vinha a inundação do Nilo e se afogaria.

- Muito bem, respondeu Osíris, e o ressuscitou. 

Três mil anos depois aquele que deu origem ao cristianismo repetiu o mesmo: “tive fome e me alimentou, tive sede e me deu de beber, estava nu e me vestiu, estava sem casa e me hospedaste”... 
Finalmente, Karl Marx elencou as quatro necessidades fundamentais do ser humano: comida, bebida, vestido e casa. 

Ou seja, entre Osíris, Jesus e Karl Marx existe a mesma ética. Que não existe na direita, nem nos católicos tradicionais. Estes estão fora da tradição. São heréticos. Porque acreditam que com um pai nosso já se salvam. 

Temos de alimentar os famintos.