Ebulição em Cusco: protestos contra mineração e pela educação de qualidade

15 de Maio de 2015, por Leandro Pellizzoni

Fotos: Leandro Pellizzoni

Os estudantes de Arequipa saíram às ruas de Cusco, na manhã de quinta-feira, dia 14/5, para chamar a atenção da população sobre os perigos que o projeto de mineração da empresa Shouthern Peru representa à comunidade.

A preocupação do povo de Islay, onde a mineradora quer se instalar, é o impacto na produção agrícola, principal atividade da cidade.

O escritório da ONU para o desenvolvimento de projetos indicou 138 observações ao estudo de impacto ambiental feito pela Shouthern pois o mesmo não continha análises hidrobiológicas de água e solo, e omitia dados sobre a utilização da água subterrânea do rio Tambo.

A instalação da mineradora coloca em perigo os recursos hídricos da cidade. Grande produtora de arroz, cebola, batata e de pescados, colocar em risco a água, bem natural e universal de fundamental importância para a agricultura, pode prejudicar de maneira irreversível a população.

A população manifestou sua opinião sobre a instalação da mineradora em um plebiscito no qual 93% disseram não ao projeto. Mas, o governo não está respeitando a voz da comunidade. Por isso os confrontos se espalharam.

Na região de Arequipa, que fica a 1000 Km de Lima, os protestos, antes pacíficos, estão se tornando batalhas urbanas entre a população e forças policiais. Em Cusco as manifestações foram pacíficas, mas acompanhadas de perto por forte aparato policial.

Professores nas ruas contra projeto do governo

Os professores da região continuam nas ruas de Cusco manifestando seu descontentamento com o projeto governista de ampliar de 30 para 40 horas semanais a jornada de trabalho sem aumento de salário. Atualmente os professores ganham 1200 soles.

Em outras cidades do Peru os professores saem às ruas em defesa da educação de qualidade.

Protestos no Vale Sagrado

Os moradores das cidades que fazem parte do Vale Sagrado dos Incas, região turística onde fica as ruínas de Machu Pichu e principal ponto de visitação do país, trancaram o acesso dos visitantes por dois dias, 13 e 14/5. Esse protesto se deu por cortes nos benefícios para as comunidades locais, principalmente nos transportes.

As ruas de Cusco e da região estão sendo palco do levante popular contra as arbitrariedades das autoridades que querem impor suas vontades às comunidades.