Governo do Equador sai da ALBA-TCP

27 de Agosto de 2018, por Elaine Tavares

Chanceler do Equador de mãos dadas com os planos estadunidenses
Chanceler do Equador de mãos dadas com os planos estadunidenses

O chanceler José Valencia, do Equador, anunciou a saída do seu país da Alba -TCP, organização que atua no sentido de garantir a integração latino-americana não apenas no comércio e sob a forma de cooperação, equidade, justiça e solidariedade. O argumento para essa decisão foi de que é preciso "ratificar a independência do Equador". 

A Alba-TCP (Aliança Bolivariana dos Povos de Nuestra América – Tratado de Comércio dos Povos) é uma organização criada sob a direção de Hugo Chávez ainda no começo dos anos 2000, para dar combate a proposta da Alca, que era uma integração comercial apresentada pelos Estados Unidos. Naqueles dias, vários países da América Latina, que elegeram governos progressitas, conseguiram consolidar a aliança e derrubar a proposta estadunidense que aparecia como uma nova colonização, visto que definia ganhos apenas para os Estados Unidos em acordos desiguais. 

Agora, a integração latino-americana construida a duras penas vem sofrendo derrotas, principalmente por conta do governo argentino, sob o comando de Macri e o governo brasileiro, com Temer, ambos aliados da proposta dos Estados Unidos. A eles junta-se agora Lenín Moreno, do Equador, buscando acabar com os organismos que trabalham na lógica da integração, enfraquecendo assim a generosa proposta bolivariana.

A Alba, ao longo desses anos de existência, tem trabalhado no campo do comércio entre as nações latino-americanas de maneira bastante diferente das propostas levadas pelos Estados Unidos. A aliança com os países do Caribe e América Central, por exemplo, de centenária dependência junto aos EUA, conseguiu fazer com que as relações deixassem de ser predadoras garantindo inclusive a troca de produtos, sem envolvimento de dinheiro. 

Com essa decisão do Equador, que também tem atacado a Unasur, percebe-se uma girada de leme do país na direção dos interesses dos Estados Unidos na região, aprofundando assim a estratégia do país do norte de atacar a integração latino-americana e caribenha. Os Estados Unidos preferem, é claro, trabalhar com cada país individualmente, impondo seus tratados bilaterais, evitando assim a força de um continente unido. 

De novo, governos vende-pátrias, dilaceram a unidade latino-americana.