Haití: Martelly sai e segue a luta do povo

10 de Fevereiro de 2016, por Elaine Tavares

Foto: Resumen Latinoamericano
Foto: Resumen Latinoamericano

Houve muita festa no Haiti depois da saída do presidente Martelly, que decidiu deixar o cargo - visto que seu mandato se extingue - para tentar alguma saída de consenso para o impasse que vive o país. Mas, apesar da celebração pela saída do presidente, os haitianos saíram às ruas para manifestar total rechaço ao acordo firmado entre o poder executivo e o legislativo para instalar um governo de transição nos próximos dias. Todos os partidos e movimentos de oposição anunciaram que seguirão com os protestos até que suas demandas sejam atendidas, sendo a principal delas a investigação das irregularidades na última eleição.

Com a saída de Martelly a Assembleia Nacional criou uma comissão bicameral para começar a receber as candidaturas de uma nova eleição presidencial, já que os protestos nas ruas justamente questionavam a validade dos resultados do último pleito e por conta disso houve a recusa da realização do segundo turno. Agora, essa comissão terá cinco dias para concluir o processo. Mas, a ideia de uma comissão formada pelo parlamento não está sendo bem recebida pela população. 

Apesar disso, o executivo e o parlamento fizeram um acordo para constituir um governo provisório evitando um vazio de poder a partir de domingo, quando se encerrou legalmente o mandato de Martelly. Esse governo de transição terá um mandato de 120 dias e é o que vai organizar as eleições marcadas para o dia 24 de abril. O candidato vencedor assumirá em 14 de maio. 

O nome do novo presidente interino deve ser divulgado até o final da semana.

Para a oposição esse acordo por cima não resolve a crise, visto que o que se quer é que sejam investigadas todas as irregularidades cometidas durante o primeiro turno das eleições, em 25 de outubro do ano passado, que foi justamente o que detonou a onda de protestos e inviabilizou o segundo turno. Sem uma comissão para fazer essa investigação, o processo eleitoral segue viciado. Também há a reivindicação de que a presidência vacante seja assumida pelo presidente da Suprema Corte de Justiça, Jules Cantave, e que nada fique na mão do parlamento, que não é confiável.  

Os protestos tendem a continuar caso esse acordo feito por cima e sem a anuência da maioria da população siga vigendo. A paz está longe de chegar ao Haiti. 

 

Com informações de Resumen Latinoamericano