Honduras segue em luta contra a fraude

23 de Janeiro de 2018, por Elaine Tavares

Mel Zelaya na linha de frente dos protestos
Mel Zelaya na linha de frente dos protestos

As eleições presidenciais em Honduras realizadas em 26 de novembro foram fraudadas e a população continua em pé de guerra, não aceitando o resultado manipulado. O candidato da oposição, Salvador Nasralla, estava com a vitória assegurada quando a matemática deu um giro e os números viraram a favor do candidato da situação, que era o então presidente Juan Orlando Hernández. Para a maioria das gentes, JOH é a sequência do golpe acontecido em 2009 e sua vitória fraudada segue sendo inaceitável. 

Por conta disso os protestos e marchas massivas não param. Na capital Tegucigalpa as manifestações acontecem todas as semanas, No interior do país também se registram protestos e a luta por eleições limpas continua. A coligação Aliança de Oposição contra a Ditadura está sustentando uma greve nacional que começou sábado e vai até o dia 27, quando Hernández será juramentado. Isso significa luta na rua praticamente todos os dias. 

A repressão ao movimento popular tem sido brutal e nem mesmo as lideranças mais conhecidas, como Mel Zelaya, ficam de fora da violência. No último sábado, quando teve início a paralisação do “Fora JOH”, o ex-presidente precisou ser retirado às pressas de uma passeata depois de ter sido atacado com gás lacrimogênio quando tentava falar com trabalhadores públicos.

Depois de algumas escaramuças entre Zelaya e Nasralla por conta de que o candidato declarara estar aberto ao diálogo com Hernández, o clima voltou ao normal entre os dois líderes do Aliança e Nasralla tem cumprido sua tarefa – como candidato fraudado – de convocar o povo para às ruas exigindo que o poder eleitoral ou realize novas eleições ou apresente a contagem correta dos votos. 

Os protestos que se desataram logo depois da virada “milagrosa” dos votos já deixaram 30 mortos, caídos por conta da repressão do exército. Na última semana foram mais dois: um jovem de 15 anos baleado numa passeata, e um senhor de 60 anos, também atingido por balas do exército. 

O dia 27, quando JOH prestar o juramento para mais um mandato como presidente, os protestos chegarão ao seu ápice. Certamente será um dia difícil em Honduras. Juan Hernández é a cara do golpe que segue se aprofundando desde a derrubada de Zelaya. Na eleição que o colocou na cadeira presidencial em 2013, também houve denúncia de fraude. A candidata de oposição ao golpe era Xiomara Castro,  mulher de Zelaya, e a população não engoliu o resultado que deu apenas 21% dos votos a ela. Por conta disso, todo o mandato de Hernández foi recheado de lutas e protestos, com sistemático assassinato de lideranças sindicais e populares, bem como de jornalistas. Por isso, para os hondurenhos, a nova fraude agora em 2017 segue sendo a consolidação do golpe.