Lenín Moreno é mais do mesmo, ou seja, uma fraude.

3 de Abril de 2018, por Elaine Santos

Foto: Elaine Santos
Foto: Elaine Santos

No dia 27 de março de 2018, todas as nacionalidades indígenas do Equador compareceram a Universidade Andina Simon Bolivar, às 10h, horário acordado para reunirem-se com o atual presidente Lenín Moreno, que lamentavelmente, e como era de esperar, não apareceu. O objetivo era a discutir as pautas indígenas que desde Correa, devido a sua intransigência, não conseguiram colocar em diálogo.

Os indígenas, que fazem parte da história de nosso continente, dos povos oprimidos e que, no Equador, são conhecidos por seus levantes históricos e derrubadas de presidente parecem estar fartos destas falsas expectativas. Mulheres, homens e crianças indígenas viajam três, quatro, cinco horas ou até mais, para chegar até a capital do país - Quito - para ninguém os receber, sequer para dizer alguma coisa.  

Uma parte de esquerda equatoriana esteve apoiando Lenín Moreno durante a Consulta em fevereiro e não se deram conta que seu discurso nada tinha de novo. Neste capitalismo desde a periferia a situação não muda muito, poucos estão percebendo que o intento das mudanças radicais nunca teve o objetivo eleitoral como centralidade, o terreno das modificações nunca se deu exclusivamente pela prática da militância institucional. Os governos são passageiros, as dificuldades da população não, os territórios continuam a ser invadidos, as concessões petroleiras permanecem, a população continua a perder suas terras e em todos os países se conserva o descalabro de uma esquerda que infelizmente parece não aprender com a história. 

Ao que tudo indica, nenhum governo latino-americano respeita seu povo, tais governos “são um bando de delinquentes”, como dizia um taxista que escutei por estas caminhadas. Estão nos matando aos poucos, desde o Brasil até o Equador. Lenin, não o traidor, mas o revolucionário russo, nos alertava para os perigos desta falsificação eclética que engana as massas, pois lhes dá uma aparência de satisfação, já que fingem tomar em consideração todos os aspetos do processo de transformação, mas na realidade não fornecem nenhuma ideia revolucionária do processo. Esta é esquerda que temos em hegemonia, que fala de tudo, da cultura, da ecologia, mas nunca dos sofrimentos, da política e principalmente da economia. 

Mariátegui, um dos primeiros revolucionários a fazer uma análise materialista da historia de “Nuestra” América Latina, reconheceu os diferentes povos como uma classe e afirmava que nada vale gritar sozinho, por mais alto que seja o som e por mais eco que faça, nada mudará. O que vale é uma ideia que potencializa a ação, que seja germinal. Esta ideia só pode vir de nós mesmos, da união dos povos que materializam os sofrimentos há séculos. Acertar as contas com o passado é também uma forma de resgatar as mobilizações sociais indígenas no Equador que ditavam as últimas mudanças do país.  

Todos nós estamos cansados destes fraseologistas, destes discursos caricatos que tratam os destituídos como objetos e produtos de políticas que não garantem nada. Basta de relações amistosas entre supostos revolucionários e governos, são eles os aliados diretos dos milionários delapidadores dos dinheiros públicos, posto isto, não nos enganemos quem realiza as mudanças somos nós e não nos calaremos.

Héctor Aguavil presente! (Líder Tsáchila assassinado em fevereiro de 2018 no Equador)
Marielle Franco presente!