Leonel Brizola - o brasileiro que não se vendeu ao Império

22 de Novembro de 2020, por Sylvio Massa de Campos

 


Em meados de 2020, um movimento antifascista percorreu o mundo. A derrubada de monumentos públicos, o cancelamento das homenagens às personalidades que tinham, de qualquer modo, participado  da exploração do homem, da escravidão, da colonização, do fascismo. A longa lista inclui do Rei Leopoldo II da Bélgica até Manuel Borba Gato de São Paulo, mercador de indígenas e escravos. No Rio de Janeiro, em gesto contrário, fascista, o atual presidente da Petrobras, Roberto Castelo Branco, arranca o nome de Leonel Brizola da Termelétrica Duque
de Caxias.

A atitude mesquinha, própria dos indivíduos medíocres, ofendeu a nossa memória, nós que escolhemos Leonel Brizola como exemplo de homem público que lutou, em todos os sentidos, por um país independente e digno, para o seu povo. Ao mesmo tempo, vem a público, por feliz e
oportuna iniciativa do IELA, coordenado pela jornalista Elaine Tavares, da UFSC, o livro “Leonel Brizola, a História e o Historiador” do consagrado estudioso - Gilberto Felizberto Vasconcellos –(2) de personalidades brasileiras que possuem o saber científico, a visão política, coragem
cívica e dignidade de não negociarem a sua honra que, assim, permita a construção de uma nação não submissa ao imperialismo.

Destaco apenas algumas das personalidades estudadas: Darcy Ribeiro, Glauber Rocha, Bauptista Vidal, Gilberto Freire, Luiz da Câmara Cascudo, Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola, Oswald de Andrade.

Agora, essa sua nova obra revela a dimensão de um homem público que lutou destemidamente pela democracia e pela justiça social contra os oligarcas que controlam os principais estamentos da sociedade, levando-a à submissão de seu povo e à aceitação do novo colonialismo, o qual agrava ainda mais o subdesenvolvimento, categoria resultante do processo capitalista de produção, permanecendo o país  como exportador do valor da  mais-valia do trabalho do povo brasileiro.

Noam Chomsky em seu livro “Quem manda no mundo” destaca a reflexão de Adam Smith sobre “os mestres da humanidade”, aqueles que controlam os nossos destinos e que seguem a máxima: "tudo para nós e nada para os outros”, lema que rege as relações entre os países centrais e os da
periferia. Completa sua inquestionável visão política sobre as forças que controlam o mundo: ”Duas super potências ainda existem no planeta”: os USA e a opinião pública.”

É a partir dessa premissa que o texto do Gilberto Felizberto Vasconcellos sobre Leonel Brizola ganha volume acusatório àqueles que negociaram nossa soberania, sob as mais variadas legendas e sutis formas de envolver a opinião pública. Ao mesmo tempo resgata pensadores pátrios que são jogados na amnésia da História. Emoldura Leonel Brizola, que nunca pode entrar em São Paulo porque a porta da Fiesp não dá acesso a nacionalistas.

Essa mesma porta protetora das multinacionais, que exercem a ditadura econômica no país, conduz parte da burguesia ao confessionário da traição às causas nacionais:

José Serra ao lado de Jango, no comício da Central e depois nas salas da Chevron, orientando como desmontar a Petrobrás;

Aloisio Nunes, de motorista do líder revolucionário Marighella a motorista de FHC, esse FHC que consagrou a dependência econômica do nosso país ao centro hegemônico como fatalidade histórica;

Haroldo Lima, do PC do B, e os controversos leilões de petróleo;

O PT de Lula e Dilma que atuaram aceitando a revolta dos miseráveis e negando a necessidade de uma ação revolucionária, democrática e resgatadora da nossa soberania varguista.

O autor aprofunda esse último tópico oferecendo esclarecimento definitivo sobre as manhas e aparências dos jogadores do poder.

É aí que surge a verdadeira dimensão histórica de Leonel Brizola, de acordo com Gilberto Felisberto Vasconcellos: nacionalizou a Bond and Share, porque o Rio Grande do Sul precisava industrializar-se; nacionalizou a ITT, em defesa dos interesses, sendo que esta multinacional, tempos depois iria derrubar Salvador Allende; como governador criou as escolas em tempo integral e as primeiras escolas técnicas do estado; foi o líder civil da “Campanha da Legalidade”, com o apoio das tropas dos generais Machado Lopes e Ladário Teles em defesa da Constituição para manter o Presidente João Goulart nas suas funções.

Leonel Brizola, sob a análise de Gilberto Felisberto Vasconcellos, pode ser colocado, como vulto histórico, junto a  um Fidel, a  um Allende e a um Vargas, pois  foram as vítimas da ação do imperialismo, que determina “nada para os outros”.

O autor não resgata apenas Leonel Brizola do opróbrio da História. Traz à luz a magistral obra de Paulo Shelling, de Ruy Mauro Marini, de Gunder Frank, de Álvaro Vieira Pinto, de Franklin de Oliveira, de Edmundo Muniz , do argentino Aberlardo Ramos e do uruguaio Vivian Trias, que apresentam análises históricas calcadas na realidade, que vão fundamentar as teorias alimentadoras da esperada ação popular . São contrárias aos falsos arranjos de acomodação social, um pouco para os proscritos e tudo para os rentistas, como assim vem sendo cantado e
prosado, com cinismo ao longo dos tempos.

Esse novo livro de Gilberto Felisberto Vasconcellos ganha destaque entre os estudos sobre os grandes vultos da nossa História e faz justiça a um homem que não se entregou aos tentáculos do polvo do Imperialismo.

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O e-book de Gilberto Vasconcellos pode ser comprado no seguinte endereço: AQUI