Liberdade para Edward Snowden

16 de Setembro de 2016, por Elaine Tavares

 

Foto: Democracy Now
Foto: Democracy Now

No país da liberdade, quem fala a verdade é proscrito. Foi assim com o jovem Bradley Manning, o garoto que era um analista de inteligência lotado no batalhão de suporte da 2ª Brigada da 10ª Divisão da Estação de Operação de Contingência, durante a Guerra dos EUA contra o Iraque. Ele cometeu o “crime” de divulgar os horrores que eram praticados pelos soldados no Iraque.  Seu desejo era singelo: coibir os abusos.

Como qualquer estadunidense comum ele acreditava em quase todas as histórias de “mundo livre”, “democracia perfeita” e todas essas ideologias que o governo martela todos os dias através dos meios de comunicação e outras correias de transmissão. Ele sentia orgulho em pertencer à armada de seu país. Por isso era confuso ver o que via naqueles dias de guerra. As imagens que observava no computador, os dados que manipulava, as informações que lhe saltavam à cara não fechavam com o ideal de mundo perfeito que tinha na cabeça. Ele então repassou as informações ao Wikileaks.

Bredley foi denunciado e preso como um “traidor” dos Estados Unidos. O garoto que - ingenuamente - queria corrigir a democracia estadunidense está esquecido. Ele segue encarcerado nos Estados Unidos –  desde 2010 e condenado a 35 anos  - e já tentou várias vezes o suicídio. Segundo seu advogado, David, Coombs, Bradley foi submetido a todo tipo de humilhação. Ficava trancado, sozinho, na cela, sem que tivesse roupas de cama, ou qualquer outro objeto pessoal. Até seus óculos foram retirados. Tudo o que podia fazer era caminhar em círculos dentro do cubículo onde estava confinado. Durante a noite, era obrigado a tirar toda a roupa e entregar aos guardas. Dormia apenas com a cueca. Uma suprema humilhação que visava destruir sua autoestima e seu desejo de viver.

Não tenho notícias de que haja alguma campanha pela sua libertação.

Edward Snowden teve melhor sorte. Depois de divulgar informações secretas sobre a espionagem do governo sobre cidadãos comuns, ele conseguiu asilo e hoje vive na Rússia. Mas, também não goza de liberdade para ir ou vir e tem ordem de prisão decretada caso saia do asilo. Só que, por ele tem quem se movimente. Essa semana a União Estadunidense pela Liberdades Civis (ACLU, sigla em inglês) e outras organizações de defesa dos direitos humanos iniciaram uma campanha pela absolvição do ex-agente da  Agência Nacional de Segurança (NSA, sigla em inglês). Eles pediram ao presidente Barack Obama que o anistie antes de terminar o mandato.

Para isso circula um abaixo assinado que inclusive já foi firmado por figuras importantes no país como o co-fundador da Apple, Steve Wozniak, os atores Martin Sheen, Danny Glover e Susan Sarandon, bem como as escritoras Rebecca Solnit e Terry Tempest Williams.

Segundo Anthony Romero, diretor executivo da ACLU: “O caso de Edward Snowden representa uma oportunidade para o presidente Obama de utilizar seu poder de presidente para reconhecer um dos atos mais importantes de denúncia de irregularidades na história moderna. Por defender os direitos de privacidade de seus patrícios – pessoas que não tinham a menor ideia de que o governo os espionava – Edward deveria receber agradecimentos e não castigo”.

Sobre essa campanha de absolvição, Snowden falou em uma transmissão ao vivo para Nova Iorque: “Amo meu país, amo minha família e dediquei minha vida a ambos. Esses riscos, essa carga que assumi, eu sabia que viriam. Ninguém deveria ter de tomar essa decisão, ou estar nessa situação. Certamente eu gostaria muito de voltar para casa, mas não posso apoiar a perseguição dos que são acusados de um ato de espionagem, quando não o cometeram”.

Bradley denunciou o terror, as violações, os estupros, os crimes de guerra. Snowden denunciou a vigilância sobre as pessoas. Os dois são considerados traidores da pátria. E deveriam ser heróis!

Bredley Manning - também proscrito e aviltado
Bredley Manning - também proscrito e aviltado

Com informações do sítio Democracy Now