Maduro vence na Venezuela

21 de Maio de 2018, por Elaine Tavares


As eleições na Venezuela nesse domingo garantiram a vitória a Nicolás Maduro, que teve 68% dos votos válidos. Ele somou 5.823.728 milhões de votos contra 1.820.552 do segundo colocado, Henri Falcón. Nas ruas de Caracas a comemoração foi grande, mas hoje pela manhã os jornais locais já apareceram com a cantilena de que as eleições foram fraudadas e que os Estados Unidos não reconhecerão os resultados. Também o candidato derrotado, Falcón, afirmou que as eleições foram ilegítimas. 

Segundo os observadores internacionais que estão na Venezuela para acompanhar o processo não há registro de qualquer irregularidade. Tudo transcorreu com tranquilidade e sem maiores problemas. A marca da “fraude” só tem sido colocada pelos Estados Unidos porque esse país vem tentando, de todas as formas, encerrar o período bolivariano, coisa que pensavam fazer com a morte de Chávez. Como o desaparecimento do ex-presidente Chávez não surtiu o efeito desejado, o foco foi voltado para Maduro, que apesar de todos os prognósticos bombardeados pela mídia mundial, conseguiu terminar seu mandato e ainda se reeleger. 

É fato que a guerra econômica promovida pela oposição no país desde 2015 tem feito seus estragos, principalmente na classe média, que, como sempre, ao primeiro sinal de problema já se volta para a direita, incapaz de atravessar o deserto da luta política. Essa fração da população, ou boa parte dela, foi a que se recusou a votar, elevando a abstenção. 

Ontem, acompanhando a cobertura da mídia comercial, podiam-se ouvir entrevistas de pessoas que querem a volta do FMI e dos empréstimos volumosos ao país, completamente indiferentes a manutenção da soberania. Para os opositores – que foram fartamente entrevistados  - Maduro representa a necessidade do sacrifício e eles preferem ficar de joelhos para os Estados Unidos do que manter o país autônomo diante das pressões. Muitos até entendem que a carestia é provocada, mas acham melhor servir aos EUA e manter o estoque de pasta de dentes. 

Já os quase seis milhões que foram às urnas para defender o governo bolivariano  pensam diferente. Eles sabem o que é viver sob a bota da elite predadora e rapaz. Já viveram tudo isso. Conhecem muito bem a fome, a falta de moradia, a impossibilidade da participação. Não querem perder o que conquistaram: saúde, educação, moradia, participação. São a camada mais pobre da população e preferem segurar algum sacrifício, mas manter a soberania diante do império e a distância da elite entreguista. 

A eleição está encerrada, mas certamente a Venezuela ainda não conseguirá garantir a sonhada paz. A guerra de média intensidade que os Estados Unidos vêm mantendo contra o governo e o povo bolivariano certamente elevará o tom. Não haverá paz para Maduro. E isso já começou hoje com a série de notícias que negam a eleição. 

Possivelmente os resultados de ontem – como a grande abstenção – dão munição para os empresários locais e os inimigos internacionais. O ataque vai se intensificar até que a população mesma peça uma intervenção dos Estados Unidos para uma “salvação” nacional. Enfrentar o império nunca é fácil e é preciso caminhar com cuidado, promovendo mais acertos que erros. Cuba já viveu essa experiência e tem se mantido firme, apesar do sistemático ataque que impede seu desenvolvimento pleno, visto que segue bloqueada economicamente. Ainda assim, resiste.

Mas, a Venezuela, ao contrário de Cuba não passou por uma revolução armada e o governo instituído não destruiu os inimigos. Eles seguem lá dentro, tramando contra o povo e de tal forma que, ao provocarem tanta desgraça, venham a ser chamados de volta como se fossem a salvação. 

A Venezuela vive uma grave crise financeira que vem sendo enfrentada de maneira ineficaz pelo governo, um pouco por conta dos ataques externos e outro pouco devido a erros estratégicos. Debelar essa crise é uma tarefa urgente ainda que difícil. Não será fácil, com tantos ataques vindos de fora. Mas, sempre é uma possibilidade. Talvez seja hora de aprofundar no caminho do socialismo e não ficar tentando acordos com o capital. E isso também é uma jogada de risco, visto que o apoio diminui diante dos problemas que vão surgindo.

O tabuleiro da guerra contra a soberania e a participação popular segue sendo uma incógnita. O povo bolivariano tem um duro caminho pela frente, inclusive uma possível invasão militar por parte dos Estados Unidos que insiste em chamar de ditadura o governo de Maduro. Agora, virá de novo o mantra da fraude e tudo mais. Tudo outra vez. E, de novo será testada a capacidade de resistência da população.