Martí – luz de Cuba

25 de Janeiro de 2018, por Elaine Tavares


Em Cuba, todo mês de janeiro é assim. Além das celebrações do triunfo da revolução que acontecem no dia primeiro, no final do mês a população se levanta em festa para comemorar com paixão avassaladora o aniversário daquele que é considerado como a luz de Cuba: José Martí, o filósofo, jornalista, poeta e revolucionário que teceu com palavras e atos o que mais tarde se consolidou na revolução de 1959.

José Martí nasceu em Havana, no dia 28 de janeiro de 1853. Ainda bem jovem já começou a escrever poemas nos quais discutia a necessidade de libertação de Cuba do jugo colonial espanhol. Por conta disso foi preso, condenado a trabalhos forçados e depois banido da ilha aos 16 anos. No exílio seguiu sua luta pela liberdade. Mas,, não ficou só na escritura não. Voltou a Cuba e comandou a luta contra a Espanha. Foi morto em combate e teve seu corpo mutilado e exibido por toda a ilha como sinal de poder. 

O corpo pequeno se foi, mas as palavras seguiram incendiando o desejo das gentes. Foram elas que impeliram pessoas como Fidel Castro à luta contra a ditadura. Ele é considerado o pai da revolução vitoriosa. A luz que iluminou o caminho.

Por conta disso, desde há 65 anos, na noite que antecede seu aniversário, os cubanos realizam uma marcha com tochas acesas, para lembrar das ideias desse que é o mais importante herói nacional. Nessa semana já circula pelos 168 municípios da ilha uma tocha gigante, acendendo outras tantas que no dia 27 iluminarão toda Cuba. 

A marcha das tochas acontece em Havana, convocando crianças, adolescentes, jovens, homens, mulheres – cubanos ou não – e a cada ano reúne mais e mais gente. É uma festa de alegria e de esperança. Aos 165 anos do nascimento de José Martí eles caminharão pelas ruas da capital sob “a luz de suas ideias”. É uma cena de assombrosa beleza.

Nesse anos de 2018 muitas coisas há para celebrar na luz de Martí: os 60 anos da Revolução, os 150 anos do início das guerras por independência, os 65 anos do assalto ao Quartel Moncada, os 115 anos de Antônio Mella e os 90 anos de Che Guevara.  

No rastro dessa luz acendida por José Martí vieram todas essas pessoas e lutas que se consolidam agora na liberdade do povo cubano, na soberania, na construção de outro modo de organizar a vida. 
Nessa noite do dia 27 as tochas andarão e, com elas, Martí seguirá, sempre vivo, lembrando que “mudar de dono não é ser livre”. Por isso, Cuba resiste. Soberana, de pé.