Marxista Leninista Revolucionário Bolivariano da Pátria Grande é Jair Bolsonaro

21 de Novembro de 2018, por Gilberto Felisberto Vasconcellos

Lenin
Lenin

Com a burguesia comercial de auditório Jair está dando força para a difusão do marxismo.  Claro que é absurdo dizer que Jair é um marxista revolucionário enrustido. Atenção, apavorado leitor, não sejamos malucos. Estará ele fomentando a luta de classes entre burguesia e proletariado? 

Impressiona-me como está se falando de comunismo, socialismo e marxismo. Fala-se disso muito mais do que na época da Guerra Fria, isto é, na guerra de nervos. 

Outro dia um chofer de taxi, conversa vai, conversa vem, perguntou-me o que é socialismo. Pasmo com a pergunta não lhe dei, no entando, o site Olavo Lava Égua Sado Anal Bolsonara, mas quis saber o motivo da pergunta. É que ele estava ouvindo falar muito disso com a notoriedade de Jair. 

O que é comunismo?

Sem querer o capitão está ensejando a curiosidade sobre a revolução proletária, a despeito da escola sem partido. 

O nome de Karl Marx é um espectro que ronda o chopinho do general Mourão jogando vôlei de praia. 

A política reduzida a Lula e ódios pessoais é uma enfermidade infantil do esquerdismo. A patota empoderada na Barra da Tijuca acha que a história é feita por homens especiais, heróis de Carlyle, a exemplo dos hermanos bolsonarecos nascidos com a vocação weberiana para a política. 

O herdeiro familiar de Roberto Campos está brilhando no Banco Central, cuja autonomia leva o Estado para o túmulo, advertiram Arturo Jauretche e Leonel Brizola. 

Não vamos cair no engodo de reduzir a era Jair ao conflito entre fascismo e democracia. Afinal, a luta de classes é o ou não é o motor da história? 

É preciso afastar o simplismo: civil é bom, militar é ruim. Trotsky no México apoiou o general Cárdenas, e em uma guerra apoiaria o Brasil de Getúlio Vargas contra a Inglaterra democrática de Wilson Churchill. 

Há duas coisas que não podemos deixar de lado: a abordagem psicanalítica sobre o palácio da Tijuca e a expansão evangélica que está dando porrada na tradição afrotupi nos morros cariocas. 

A luta de classes se dá entre o bispo Edir Macedo e Luís da Câmara Cascudo, o filósofo da teologia popular brasileira. 

Quanto à libido sexualis de direita, inaugura o bolsonarismo uma nova etapa desde o integralismo da década de 30. O integralismo era a projeção alucinada de um Curupira nacionalista sem orifício e com ânus ocluso.  

Diferente do anauê de Plínio Salgado é a histerogenia de Janaína Pascoal ao entrar no teatro da política. 

Escândalo lava-jato. Empenhada em tirar Dilma do poder, a professora de Direito Penal ficou conhecida na crônica jornalística como a mãe do diabo, posto que o diabo é um personagem masculino por excelência. O diabo não faz parte da doçura do seio feminino. 

Tenho me perguntado em que região do corpo se concentra a performance anticorrupção. Provavelmente essa energia é de caráter anal defecativo mais que uretral e mamário. Há uma intensa auto-satisfação neste dualismo: eu, a gostosa incorruptível; os outros e as outras, imorais e desonestos.  

A escuta psicanalítica desde Sandor Ferenczi se interessa pelo estágio sado-anal com foco nas fezes e sua conexão com o dinheiro. O tesão de acumular grana. A prisão de ventre é erótica e implica a destruição do objeto. Junta-se retenção infantil das fezes com desejo crematistico.   

Sandor Ferenczi da Húngria foi considerado um psicanalista marxista e elogiado por Wilhelm Reich, o autor de A Psicologia de Massa do Fascismo. Que haja paralelismo e correspondência entre Janaína Pascoal e a fisionomia enrijecida dos pastores evangélicos não resta a menor dúvida. 

Nas últimas eleições o pastor foi o guia. A psicologia de ambos está fundada no jejum, jejuno, jejunum, que significa vazio, magro, estreito, daí a conexão com o intestino. Jejunum intestinum.

A abstinência ou a fome faz repousar o órgão digestivo. Pode-se dizer que a direita evangélico-bolsonara está em contradição com a ideia da fartura do povo brasileiro acenada pelo folclore. 

Viva a fartura que a miséria ninguém atura. 

O intelectual sambista Ney Lopes encarna o povo fluminense, e não o Bishop capitalista Edir Macedo. A Igreja Universal do Reino de Deus é uma corporation multinacional. Importou dos Estados Unidos a teologia pentecostal da prosperidade depois de ter sido criada numa loja funerária em 1973 na Aveninda Suburbana. 

Coincidência espantosa é que Edir Macedo com 17 anos foi contratado como servente da loteria do Estado da Guanabara. Loteria não deixa de ser a religião do dinheiro. Seu padrinho: Carlos Lacerda. Este é o político que está na base de toda a direita carioca, conforme informou Gunder Frank. 

Carlos Lacerda na política e Roberto Campos na economia, os dois ilustres golpistas de 1964. 
Edir Macedo com a sua televisão é responsável pela decadência psíquica e cultural das camadas pobres e oprimidas.

Umbanda é a religião brasileira com cabloco e preto velho, orixá, voduns, Cosme e Damião, os gêmeos oferecendo comidas, bebidas e doces. Caruru de Ibêji é a iguaria condenada pelos cultos evangélicos como manifestação demoníaca.

A direita é que gosta de andar com revólver no bolso. Luís da Câmara Cascudo antecipou a loucura agressiva da mucosa gástrica de Donald Trump: a paz é um fenômeno digestivo.