México: a morte a galope

26 de Julho de 2017, por Elaine Tavares


A mídia comercial nacional e internacional divulga a exaustão as “guarimbas” (trancamentos violentos de rua) na Venezuela, insistindo que o país governado por Nicolás Maduro é uma ditadura que tem levado ao caos e à violência desenfreada, mas faz um completo silêncio sobre o que acontece no México. Noam Chomski já mostrou com bastante competência como agem os meios de comunicação na fabricação do consenso sobre quem é amigo ou inimigo.

O governo de Maduro é considerado “inimigo” pelos Estados Unidos e por conta disso qualquer coisa ruim que aconteça lá é maximizado para que as gentes fortaleçam a ideia de que o bolivarianismo é uma coisa ruim. Já o governo mexicano está no rol dos “amigos”, então, é preciso silenciar sobre a barbárie cotidiana no país, par anão manchar o governo de Peña Nieto.

Foi assim com o emblemático assassinato dos 43 estudantes no Estado de Guerrero, todos alunos da escola rural, um dos poucos remanescentes das ideias da revolução popular de 1910. E segue sendo com o silenciamento dos assassinatos de jornalistas e lideranças populares.  

O México é hoje um país em convulsão, com a população tendo de se armar para proteger-se, seja do exército, dos paramilitares, das milícias privadas ou do narcotráfico. Só no primeiro semestre desse ano já foram registrados mais de 12 mil homicídios dolosos, garantindo um macabro recorde histórico. Nunca se matou tanto. E observem que essas são as cifras oficiais, registradas pelo Sistema Nacional de Segurança do México. Se forem contabilizadas as mortes que não se registram, com milhares de desaparecidos, a cifra explode.

Segundo declarações de Santiago Roel, diretor de uma organização que estuda a violência no México, em entrevista par a Telesur,  80% da violência registrada e da corrupção se deve ao projeto “Iniciativa Mérida”, aprovado em 2008 pelos Estados Unidos, que destinou 2.300 milhões de dólares para ser investido nas forças policiais mexicanas, com a desculpa da luta contra o tráfico. Em vez de melhorar a situação o que se registra é o fracasso da estratégia de segurança e o aumento da violência de alto impacto. A caçada aos narcotraficantes levou a uma guerra sem quartel no México, com altos índices de corrupção policial.

Tudo está impregnado pelo narco e não são apenas os assassinatos que crescem. Também aumentaram os crimes de extorsão, sequestros, roubo de veículos, assaltos a casas e estupros. Os assassinatos em massa praticados pelo narcotráfico na guerra de gangues registram requintes de brutalidade, sendo comum o desmembramento das pessoas. Corpos em pedaços são enviados às famílias, e tudo fica impune.

O estudo realizado pela Semáforo Delictiv registra que 81% dos mexicanos concordam que a segurança só piorou nos últimos anos e 88% acredita que o atual presidente não está comprometido com a questão. Não é sem razão que as comunidades estão apostando na construção de milícias comunitárias, única maneira de enfrentar a violência do narcotráfico.

Como já dizia Porfírio Díaz, o grande drama do México é estar tão perto dos Estados Unidos. Ali, os EUA têm interferido nos governos,  sistematicamente. Assim como Cuba era, nos anos 50, uma espécie de prostíbulo estadunidense , onde se reunia toda a “ratatuia” ligada às drogas e a prostituição, agora é o México que cumpre esse triste destino. Ao povo resta a luta, enquanto o mundo praticamente desconhece o drama que lá se desenvolve. Peña Nieto é amigos dos EUA. Eis a questão.