O bom negócio das prisões privadas nos EUA

7 de Março de 2019, por Elaine Tavares


Segundo informações do sítio de jornalismo Democracy Now 75% dos imigrantes que estão sob a custódia do serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, estão detidos em prisões privadas, que ganham muito dinheiro, inclusive do estado, para amontoarem presos. A indústria dos cárceres privados é gigante e muito lucrativa, sendo alimentada cotidianamente com gente pobre e negra. Conforme a Human Rigths Watch a proporção é de um branco para cinco negros/hispânicos. 

Nessas prisões os prisioneiros trabalham para grandes corporações em regime de quase escravidão, uma vez que recebem apenas 0,25 centavos de dólar por hora. Esses cárceres administrados pela mão privada são a terceira força no país em quantidade de mão de obra disponível. Os dois primeiros são a General Motors e a rede Wall Mart. 

Dados de 2017, divulgados pela Human Rights Watch, mostram que existem dois milhões e 300 mil prisioneiros em regime fechados nos Estados Unidos, 211 mil deles estão em prisões federais e o restante em prisões estaduais. Mas, se for levado em conta os que cumprem pena em liberdade condicional ou com restrição de liberdade o número chega a cinco milhões de pessoas. Esses números superam, e muito, outros países bastante populosos como China, Rússia e Brasil que têm entre 600 mil a 900 mil pessoas encarceradas. 

As empresas privadas que administram prisões são protagonistas de casos absurdos como, por exemplo, as que cobram diária dos presos, que ao fim da pena devem milhares de dólares, pois não conseguem ganhar o suficiente – 0,25 centavos de dólares a hora  - para pagar os custos da prisão. E estamos falando aqui de pessoas que são encarceradas por crimes menores como uso de drogas, furtos, pequeno tráfico, crimes de trânsito etc... Uma dessas prisões mais antigas, a Corrections Corporation of América, hoje chamada de CoreCivic, criada nos anos 1980, chega a ter lucros de quase dois bilhões de dólares ao ano. 

A CoreCivic e a GEO Group detém contratos milionários com o governo federal e estão no top de linha das empresas com grandes lucros. Movimentos de Direitos Humanos nos Estados Unidos são pródigos em denúncias sobre arbitrariedades, ilegalidades e conluios no sistema judiciário do país, visando justamente manter o fluxo de mão de obra para essas empresas. Donal Trump tão logo se elegeu renovou os contratos das duas empresas e não foi à toa que cada uma delas doou meio milhão de dólares para a festa de posse. 

No ano passado o governo federal autorizou a GEO Group a construir mais um centro de detenção, com investimento público de mais de 100 milhões dólares, provavelmente por conta do aumento do número de imigrantes ilegais. Toda essa gente que fica detida pelo governo estadunidense vai parar nessas prisões. É um grande negócio. O investimento é público e o lucro privado.

Essa semana os movimentos sociais que lutam contra esse tipo de prisão conseguiram um pequeno avanço. A gigante das finanças  JPMorgan Chase anunciou que não vai mais conceder empréstimos para as prisões privadas, cedendo aos apelos sistemáticos dos movimentos que fazem seguidos e barulhentos protestos em suas portas. Mas, a vitória é apenas simbólica, pois os acordos e convênios com o estado seguem firmes. De qualquer forma, a notícia serve para colocar a público essa longa luta que vem sendo travada, geralmente fora dos holofotes  dos grandes meios. O drama dos imigrantes submetidos a uma quase-escravidão e também o da maioria dos encarcerados segue abafado porque é bastante lucrativos para as empresas, não apenas as que os exploram diretamente, como as prisões privadas, mas aquelas que usam de sua mão-de-obra tais como IBM, Motorola, Microsoft, Telecom e até uma petroleira britânica, a BP.