Previdência por um fio

10 de Julho de 2019, por Elaine Tavares


O governo de Jair Bolsonaro está conseguindo colocar em prática todas as propostas feitas em campanha eleitoral. Estava muito claro no seu programa de governo que a intenção era vender o país, destruir todos os ganhos dos trabalhadores e governar para o latifúndio. Foi o que prometeu e é o que vai cumprindo praticamente sem qualquer reação da oposição, a não ser a protocolar, com discursos inflamados no Congresso, sem conexão com a vida real. 

A maior de todas as perdas para os trabalhadores é a chamada Reforma da Previdência que aumenta a idade mínima, aumenta o tempo de contribuição e diminui o recurso a ser recebido. Um verdadeiro massacre para a vida de quem conseguir chegar à aposentadoria, visto que será necessário trabalhar 40 anos ininterruptos para pleitear o benefício. 

Ontem (09.07) a Câmara dos Deputados realizou a primeira sessão plenária para a discussão do projeto e, apesar das tentativas de obstrução da oposição, o processo seguiu tranquilo, sem grandes problemas. O debate está centrado na tentativa da oposição em “melhorar” a proposta, como se isso fosse algo possível. De qualquer forma a correlação de forças no plenário deixa bem claro que a aprovação do projeto é praticamente certa. Pelo menos 331 votos já estão garantidos, sendo que são necessários 308 para que a reforma passe. Agora de manhã a sessão continua e tudo deve ser definido com folga.

Outra sessão deverá ser realizada, pois são necessárias duas delas para aprovação definitiva. Depois, a pauta segue para o Senado. Para o governo será uma grande vitória visto que essa reforma é a sua menina dos olhos. Ela desonera os patrões e enche as burras dos bancos e dos fundos de pensão. Os prejuízos são todos dos trabalhadores que, surpreendentemente, estão paralisados. Tanto que as Centrais Sindicais sequer chamaram manifestação para os dias de votação. O máximo que foi feito foi uma pressão junto aos deputados nos aeroportos e abaixo-assinados para que votassem contra a reforma. Obviamente uma estratégia absolutamente patética. 

Enquanto os sindicalistas buscavam acertar uma saída via os deputados, com pequenos grupos e faixas de protesto nos seus estados de origem, o governo federal liberou quase um bilhão de reais em emendas parlamentares, garantindo verbas aos deputados que as distribuirão conforme seus interesses eleitorais.  Não precisa ser muito esperto para saber qual ação renderá frutos. A derrota dos trabalhadores é certa. 

A maior central de trabalhadores da América Latina, a CUT, na sua página na internet orienta os trabalhadores a enviarem mensagens pelo whatsapp para os deputados, bem como ocupar o twitter e o facebook dos parlamentares com mensagens de protesto. Ou seja, a ação é meramente virtual e totalmente desprovida de sentido, pois pode ser olimpicamente ignorada pelos parlamentares. A Força Sindical, outra central de trabalhadores, sequer indica ação virtual. Apenas explica quais serão as perdas e centra seu debate nas regras de transição, praticamente aceitando o processo. A Intersindical também discute na sua página as perdas dos trabalhadores, mas não articula mobilizações. A Conlutas está chamando manifestações para o dia 12, com assembleias nos estados e ato em Brasília, mas ao que parece está sozinha nessa proposta, pois não há articulação com as demais centrais. Ou seja, os trabalhadores estão à deriva. 

Nas redes sociais, individualmente, os trabalhadores expõem sua indignação e pedem ações coletivas, pois sabem muito bem que uma voz, sozinha, não tem força alguma. Apenas a pressão das ruas pode mudar o rumo da prosa no Congresso. De qualquer forma, os gritos solitários são absolutamente impotentes diante do dramático quadro que se desenha para o futuro. A luta tem de ser real, concreta. Mas, o que se vê é o abandono. 

Inexoravelmente a reforma vai passar. E será uma derrota gigantesca para todos nós.