Relações Cuba x Estados Unidos seguem turbulentas

22 de Fevereiro de 2018, por Elaine Tavares

Senador Patrick Leahy, dos EUA, quer a abertura
Senador Patrick Leahy, dos EUA, quer a abertura

Congressistas estadunidenses consideram a decisão de Trump, de suspender relações com Cuba, um tremendo retrocesso. 

A declaração é do senador democrata Patrick Leahy, que encabeça a delegação de congressistas dos dois maiores partidos dos EUA (democratas e republicanos), em visita à Cuba. Ele insiste que a normalização das relações entre os Estados Unidos e Cuba precisa ser retomada, e que o histórico bloqueio, bem como as novas sanções impulsionadas por Trump, se configuram em um grande atraso para os dois países.  

A reunião com os congressistas em Cuba foi realizada justamente para mostrar a tragédia que o bloqueio, que dura mais de 50 anos, vem imputando ao país caribenho e a importância de se melhorarem os vínculos comerciais, políticos, econômicos e culturais. Esse processo de aproximação com Cuba foi iniciado pelo ex-presidente Barack Obama, mas, agora, com Trump, recrudesceu. Foram reduzidos os espaços diplomáticos e noças sanções econômicas foram propostas. 

“O bloqueio não tem sentido e endurecer novamente contra Cuba não ajuda os Estados Unidos, pelo contrário”, Disse Leahy. De certa forma ele representa também os interesses de muitas empresas capitalistas dos EUA que estão de olho numa abertura para Cuba. O congressista democrata entende que as decisões de Trump são erradas e criam obstáculos ao desenvolvimento. 

As autoridades cubanas seguem abertas ao debate, e consideram que as acusações de "ataques sônicos" que teriam sido efetuados por diplomatas cubanos contra os diplomatas estadunidenses são parte da mesma velha prática de divulgação de mentiras absurdas, que se transformam em verdade pela força do conglomerado midiático a serviço do império. Essa notícia – de que os diplomatas estadunidense tinham sofrido dores de cabeça e até edemas cerebrais depois de estarem na embaixada de Cuba – em que pese não ter qualquer comprovação cabível, foi reproduzida em todo o mundo e os diplomatas cubanos foram expulsos do país. Na verdade, tudo não passou de mais uma dessas jogadas criminosas do governo estadunidense contra Cuba. O presidente Raul Castro publicou no seu Twitter que o encontro foi fraterno, que Cuba tem intenção de conviver em paz com os Estados Unidos e que a ilha não tem intenção de causar qualquer mal. Tanto que os congressistas viajaram a Cuba com suas esposas, filhos e netos. 
 
De qualquer forma, essa batalha ainda está só no começo. Enquanto Trump estiver na presidente é bem pouco provável que as coisas mudem, a não ser que os interesses econômicos do empresariado estadunidense falem mais alto. Porque, afinal, quem manda realmente, são as transnacionais.