Siamo Tutti Perdonati Cacá Jabor FHC Merval Sadi Leitão Camarotti d’Ávila

5 de Novembro de 2018, por Gilberto Felisberto Vasconcellos

Cena do filme "Deus e o Diabo na Terra do sol", de Glauber Rocha.
Cena do filme "Deus e o Diabo na Terra do sol", de Glauber Rocha.

O bolsonarismo é a financeirização da economia e o aviltamento da democracia.

O egípcio Samir Amim, há pouco falecido, chamou atenção para o perigo do fascismo em escala mundial.

A explicação da façanha bolsonariana é mais difícil de ser feita do que a saga de Collor.  Estamos vivendo a preeminência anacolútica da fala boçalizada do pastor evangélico fazendo a cabeça dos pobres coitados remediados.

Fernando Collor reportava-se ao marajá como causa primordial da miséria da pátria. Era o funcionário público demonizado na esfera política do Estado e da sociedade civil, enquanto Bolsonaro não faz menção ao regime econômico. Será verdade ou verossimilhança que o caucásico Paulo Guedes, devoto de Augusto Pinochet e amiguinho de mister Bannon, declarou ser analfabeto em economia?

Neste 2018 inauguramos a candidatura psicótica com jejum e castidade. É o retorno ao pior do medievo, embora o Brasil nunca tivesse tido Idade Média.

Desprovido de gramática, o capitão fala da continência dos instintos para se atingir a felicidade e ir direto para o céu. Da família a Deus.

Originário do interior de São Paulo, caipira da região de Campinas, ele se fez político no Rio de Janeiro, cidade pentecostal seduzida pelos pegureiros evangélicos cada vez mais ruidosos, trinta anos depois de Leonel Brizola.

A rede Globo foi conivente com o descenso psíquico e cultural do Rio de Janeiro. Os amigos de Glauber Rocha, Cacá Diegues e Arnaldo Jabor, há muito não têm merecido elogios, mas agora tomaram tino diante da ameaça gangsterística.

E os filhos de Roberto Marinho? Nada. Os jornalistas da Globo News são todos lacaios e submissos.

Baixaria intelectual. Falam tudo errado com ignorância petulante. Cito Merval Pereira que identifica fascismo com comunismo.

Vai estudar, Merval.

Eu pressinto uma autofagia masoquista da TV Globo, que continua sendo inimiga de Leonel Brizola. Este um dia ponderou: “desastre para o Brasil se a Globo vender sua televisão para proprietários estrangeiros”. Reacionária, inimiga do trabalhismo, a favor da dominação externa e colonial, mas vendê-la seria muito pior, advertiu o grande caudilho do trabalhismo. Por isso não deixou de ir ao enterro do barão Roberto Marinho. A TV Globo, propriedade estrangeira, iria antecipar o triunvirato Bolsonaro, Edir Macedo e Murdoch.

Quem foi o responsável pela subida do Jair?

O PT tem responsabilidade?

Tem.

O PSDB tem responsabilidade?

Tem.

Todos os partidos políticos têm responsabilidade.

O povo acha que o dinheiro na cueca corrompida é o maior de nossos males, mas não o é.

O PT desmoralizou a capacidade revolucionária da classe operária.

Bolsonaro fala asneiras contra o socialismo e contra a Venezuela. Toda mundo ficou quietinho. Voltou o mar de lama de Getúlio Vargas vilipendiado pela UDN lacerdista.

Vejo-me, por circunstâncias objetivas alheias à minha vontade, elogiando Fernando Henrique Cardoso, Cacá Diegues e Arnaldo Jabor, que adubaram o irracionalismo antipetista.

A direita se concilia com a esquerda que, por seu turno, perdoa-a. É o eterno retorno da churrascada canalha.

A entropia violenta de Bolsonaro é o fim da harmonia civil de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes.

O fascismo surge na sociedade civil antes de tomar o Estado, ou seja, é o desejo cidadania de um Estado fascista.