Soldados dos EUA controlarão migrantes

4 de Junho de 2019, por Elaine Tavares

Foto: Uol
Foto: Uol

Desde o ano passado, milhares de pessoas da América Central, mudaram sua tática para enfrentar o desafio da migração. Antes, partiam sozinhas, enfrentando bandidos, fome e polícia fronteiriça como podiam. Agora, partem em grandes grupos, verdadeiras colunas de gente que, coletivamente, procuram por vida melhor no chamado “país das oportunidades”: os Estado Unidos. As colunas saem de El Salvador, Guatemala, Nicarágua, Honduras e cruzam o México até a fronteira com os EUA. No geral são vítimas da violência, da miséria gerada pelo capitalismo, da fome. Partem com seus filhos, velhos e bichos, levando o pouco que têm, e tentam cruzar a fronteira. 

Por conta dessa nova forma, coletiva, de ação, os estados Unidos têm reagido de maneira brutal. O presidente Donald Trump, inclusive, tem tentado conseguir recursos para construir um muro em toda a extensão da fronteira para barrar a migração e atualmente mais de oito mil soldados já foram deslocados para as regiões fronteiriças, numa espécie de cerco sem piedade. Os que conseguem passar são presos, as crianças enviadas para espécies de campos de concentração, e muitos são deportados. É uma luta sem fim para os que não querem mais voltar aos seus países onde não conseguem sequer trabalho. Por isso, a batalha da travessia continua, e todos os dias.

Como o Congresso estadunidense negou ao presidente Trump os recursos para a construção do muro, ele partiu para uma nova tática: barrar a migração nos países de origem. E, para isso, conta com a servidão voluntária dos governantes títeres. Esse é o caso da Guatemala, por exemplo. O presidente Jimmy Morales assinou na semana passada um memorando de cooperação com o secretário de Segurança dos Estados Unidos, Kevin McAleen, se comprometendo a melhorar a segurança na fronteira e compartilhar informações com os EUA sobre prováveis colunas de migração. 

Segundo informações que circulam nos jornais estadunidenses e guatemaltecos, bem como nas redes sociais, esse acordo também permite a entrada de tropas dos EUA na Guatemala para frear a migração. O jornal Última Hora, da Guatemala, divulgou que o próprio ministro de defesa do país, Luís Miguel Ralda, confirmava que as tropas estadunidenses já estariam dentro do país, no departamento de Huehuetenango.

A intenção dessa cartada é impedir que as pessoas saiam do país. Nos demais jornais comerciais latino-americanos essa informação sequer é digna de nota. Talvez porque coloque à nu o tão batido conceito de “democracia” defendido pelos Estados Unidos. Ou seja, para defender os interesses do país imperial, até mesmo tropas militares serão usadas nos países da América Central, visando bloquear o ir e vir das pessoas. Isso significa que aqueles e aquelas que quiserem migrar serão “democraticamente” impedidas pelos mercenários à soldo dos EUA, em comum acordo com os governantes dos seus países. 

E pensar que na CNN, o braço armado da comunicação ianque, Cuba e Venezuela que são chamados de países totalitários, governados por ditadores. Pois é.