Trump insiste no muro com o México, Congresso pode negar estado de emergência

1 de Março de 2019, por IELA


A Câmara de Representantes dos Estados Unidos, que equivale a nossa Câmara de Deputados, aprovou essa semana uma iniciativa para bloquear a declaração de emergência com a qual o presidente Donal Trump procura conseguir cinco bilhões e 700 milhões de dólares extra orçamento para construir o muro com o México. O presidente, inconformado com a decisão dos deputados em não liberar os recursos tem chantageado a nação com essa ameaça. Ele já submeteu os estadunidenses a uma paralisação do governo, de mais de 30 dias, justamente para pressionar os congressistas, mas foi derrotado. Agora, sem aceitar a derrota, ele promete colocar o país em estado de emergência para conseguir os recursos. 

Nessa semana o Senado convocou o general da Força Aérea, Terrence O’Shaughnessy, que é comandante do Comando Norte dos Estados Unidos e da Defesa Aeroespacial, para um interrogatório sobre a questão da fronteira com o México e ele foi bastante claro, dizendo que a linha divisória com o país vizinho não representa perigo e que o muro estaria muito mais ligado à defesa dos EUA contra as ameaças da China e Rússia.

Segundo ele, o muro com a fronteira do México serviria para tornar bem mais segura a entrada sul do país, impedindo qualquer ameaça que viesse por ali. Declarou que tem sido registrado um avanço da Rússia em treinamentos e equipamentos militares o que pode ser um risco para os Estados Unidos. O general, com essas declarações, desviou o foco daquilo que Trump chama da “invasão de latino-americanos” e colocou a Rússia na conversa, tornando o tema ainda mais confuso. 

Na verdade, a proposta de Trump está ligada a grande guerra que existe entre as corporações do bloco estadunidense e do bloco sino-russo pelo domínio mundial. Uma disputa que muito pouco se importa com as vidas das pessoas que sofrem com as políticas de aperto econômico que essas corporações vão introduzindo para garantir mais e mais lucros. São esses os que fogem de seus países, dependentes e subalternizados, e buscam entrar nos Estados Unidos que é apresentado como a “terra das oportunidades”.

Como a Câmara dos Representantes já se manifestou favoravelmente contra a decisão de se declarar um estado de emergência, agora resta o Senado e é lá que os republicanos vão atuar, uma vez que têm maioria na câmara alta. Ainda assim, nos últimos dias tem havido muitas declarações dos senadores republicanos que se sentem incomodados com o fato de ter de se desviar tantos recursos para uma fronteira que, como bem disse o representante das Forças Armadas, não representa perigo iminente.  Sendo assim, pode ser que lá também o presidente seja derrotado.

Ainda assim, mesmo que as duas casas decidam bloquear a declaração de emergência, Trump tem o poder de vetar a decisão o que levaria o tema outra vez para o Congresso. Nesse caso, a oposição teria de contar com dois terços dos votos, coisa considerada bem difícil. 

O tema está pegando fogo nos Estados Unidos, pois a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, ao declarar seu voto contrário ao estado de emergência, foi bastante enfática: “Não vamos dar um cheque em branco a nenhum presidente, nem democrata nem republicano, para que despedace nossa Constituição”.  

Com informações do La Jornada e Câmara de Representantes dos EUA.