Trump retoma os oleodutos

26 de Janeiro de 2017, por Elaine Tavares

Protestos em Standing Rock - http://www.indianz.com/
Protestos em Standing Rock - http://www.indianz.com/

Duas importantes vitórias conseguidas pelo movimento indígena estadunidense estão perto de perderem sua validade. É que o presidente Donald Trump  assinou nessa semana uma série de documentos que, na prática, retomam a proposta de construção dos oleodutos de Keystone XL e Dakota Access. Esses eram dois megaprojetos que foram suspensos pelo governo de Obama depois de longa luta travada pelos indígenas e pelos militantes ambientais. Os dois foram barrados justamente por conta dos danos ambientais que provocam.

O oleoduto de Dakota Access foi parado bem no final do ano passado, depois de uma mobilização que durou um ano, repleta de confrontos com a polícia e com os seguranças da empresa que construía a tubulação, uma vez que as obras estavam passando por dentro de um cemitério ancestral do povo Sioux.  Esse oleoduto estava planejado para transportar até 570 mil barris de petróleo desde o estado de Dakota até Illinois. Passaria por baixo do rio Mississipi, podendo provocar muitos danos ao ambiente.

Já o oleoduto de Keystone, também barrado pela luta indígena, faria o transporte de 830 mil barris de petróleo cru desde as areias betuminosas de Alberta até as refinarias da costa do Golfo dos Estados Unidos. A paralisação dessa obra foi fruto também de grandes protestos dos povos originários e dos movimentos ambientais, visto que não apenas invadia as terras indígenas sem qualquer consulta, mas também mexia em ambientes extremamente frágeis. 

A decisão de Trump, de exigir do Corpo de Engenheiros do Exército novos laudos ambientais que permitam a continuidade das obras, já provocou protestos. Na terça-feira, dia da assinatura dos memorandos, milhares de pessoas ocuparam a Quinta Avenida, perto da Torre Trump, em Nova Iorque, bem como houve mobilização em frente à Casa Branca, em Washington, em Seattle, Chicago e Los Angeles. 

Agora, os movimentos que garantiram a paralisação das obras em Keystone e em Standing Rock devem ser retomados. Uma longa e dura batalha se aproxima. Conforme as palavras do chefe Sioux, as medidas de Trump violam a lei do direito á consulta, uma vez que não dialogam com a comunidade indígena. Vai ter luta.