What’s Prolebolsonariat?

12 de Novembro de 2018, por Gilberto Felisberto Vasconcellos

Foto: cena do filme Armide (Lully) - Godart
Foto: cena do filme Armide (Lully) - Godart

Emergente Barra da Tijuca à beira-mar, condomínio kitschnouveauriche, automóvel black SUV, devotos fazendo vigílias sertanejas universitárias. 

Mito! Mito! Mito! 

A palavra “mito” diz que vem de “parmito” a designar um tabaréu alto e magro.

Linguajar agressivo como está ocorrendo em todo direita mundial. Que Lula apodreça na cadeia, logo será a vez de Haddad. Toda a esquerda banida do país. Ou sai ou é encarcerada. Suspeita-se que esse palavreado baixo nível seja teatro bonapartista e rentista.

É de Leon Trotsky, então com vinte e poucos anos de idade, a expressão parasitenproletariat a respeito de Friedrich Nietzsche que tinha acabado de falecer em 1900. 

Parasitenproletariat é quem vive às expensas da sociedade. Ave de rapina. É o individualismo financeiro que despreza a massa e odeia qualquer tipo de assistencialismo ao fraco. Eis a frase de Nietzsche: nada é verdade e tudo é permitido.

Os comunistas estão ameaçados. O problema é que no eixo Rio-São Paulo devem existir aproximadamente cinco comunistas. Vasculhem as bibliotecas das Faculdades de Ciências Sociais. Vejam quantos autores marxistas existem por lá. Se muito, uns vinte gatos pingados.

Outros ameaçados são os catimbozeiros, os raizeiros, os umbandistas, os macumbeiros tidos como adversários a serem abatidos pelos gendarmes armados da Assembléia e Reino de Deus. 

Vamos passar fogo nesta cambada supersticiosa estudada pelo folclore de Luis da Câmara Cascudo. 

Os homossexuais, menos os ricos que os pobres, terão de comer o pão que o diabo amassou. Para os psicanalistas o desafio é saber como funciona a libido clérico-estupradora. 

Na Câmara dos Deputados a advogada Janaína (alma feminina de Jair) é uma star histérica à Frederico Fellini sobre o capitalismo cyberzapy financeiro. 

O que amedronta é a intolerância totalitária quanto ao “diferente”. O truculento Trump é menino de colo. 

Os evangecos defendem a família e a propriedade, quer dizer, Deus, pátria e família. Os evangecos defendem mais a propriedade privada do que a família. 

A propriedade privada é sagrada. Origina-se daí o tesão pelo revólver. Este é o pênis do capitalista judaico-cristão adorado por Steve Bannon enchendo a cara de vinho branco na Malásia e preparando algum algoritmo da maldade. 

O cristão Jair fundamentalista foi batizado em 2016, Israel, onde bate o seu venerando coração sionista.

A população de saco cheio não é capaz no entanto de diagnosticar o mal-estar da civilização brasileira. O candidato machão com a retórica anti-sistema dá votos. 

A gauchada prefere Hitler a Leonel Brizola.

Em Joaçaba Benito Mussolini é amado, não Rogério Sganzerla. 

O inconsciente genocida medra sem constrangimento. Canudos. Guerra do Paraguai. Contestado. 

No Instituto Millenium, amálgama de latinório com sangue escravo Liverpool, vestido de terno e gravata, Antônio das Mortes videoconferencia no celularaifone: é preciso eliminar 200 mil pobres e miseráveis numa democracia decente. 

Peçam esclarecimento a um jornalista idôneo como Sérgio Dávila. A “imprensa burguesa”, como dizia ironicamente Otávio Frias Filho, a quem Claudio Abramo e eu lançamos no periodismo, entrevera-se com o presidente mimado pelo capital financeiro, Goldman Sachs, Santander, Ambev. 

Iria meu amigo Claudio Abramo rir um bocado com o cotejo: a Folha de São Paulo para o Jair parasitenproletariat é o Iskra bolchevique.
Hasta cuando? 

Maria Cristina Frias precisa se inteirar de que a Folha de São Paulo vai vender mais jornal e ganhar mais dinheiro se permanecer na oposição, não obstante os vagidos e balbucios crematísticos da Avenida Kansas Paulista. 

Eu não vejo há 15 anos ninguém do meu círculo de amizade indo à banca de revista comprar a Folha de São Paulo. Isso diz muita coisa neste melancólico cenário decadente do periodismo brasileiro.