Chegou o willkakuti - o retorno do sol

21 de Junho de 2016, por Elaine Tavares


O primeiro de janeiro é a celebração do início do ano legado pelo calendário gregoriano, imposto ao mundo ocidental pelo papa Gregório XIII em 1582, quando ele substituiu o calendário Juliano, definido por Julio César, ainda no Império Romano. Como a Europa acabou sendo o espaço do mundo que impôs os padrões do mundo ocidental, esse tem sido o calendário que rege o ano civil da maioria das nações no globo. 

Mas para o povo aymara que conforma boa parte dos Andes, o ano começa no 21 de junho, sempre no solstício de inverno, quando o sol (Tata Inti) fica mais longe da terra, esperando que as gentes façam oferendas e dancem chamando-o de volta. É nesse período que também começa o período das semeaduras que terá seu auge no dia 24, durante o Inti Rayme, a celebração mais importante do povo dos Andes. Para os aymaras e quéchuas o ano que começa é o 5525.

Para os que ainda cultivam as tradições e os deuses velhos, esse 21 de junho foi dia de visitar a porta do sol em Tiahuanaco, centro sagrado da cultura antiga, e render homenagens a Tata Inti. É ali que se reúnem os amautas (sacerdotes) reverenciando Pacha (tudo que vive). Nos primeiros raios da manhã que se divisam através do portal os camponeses e os indígenas renovam as esperanças na unidade do universo. É uma hora única, sagrada, na qual se anuncia o eterno retorno de Inti para que a vida siga se fazendo.

O centro cerimonial e Tiahuanaco faz parte das ruínas de uma das cidades mais antigas da parte sul de Abya Yala, hoje no centro da Bolívia. No solstício o lugar se enche de cantos e oferendas a Inti e Pachamama. Ali, com a invocação da fertilidade da terra as gentes esperam que a vida siga se reproduzindo sob as bênçãos do sol.

Jallalla, hermanos. Estamos juntos na vibração