EUA: recomeça a luta do povo Sioux

9 de Fevereiro de 2017, por Elaine Tavares

Protetores da Água
Protetores da Água

Depois de intensa luta por parte dos povos originários dos Estados Unidos, especialmente o povo Dakota, conhecido como Sioux, o final do ano passado trouxe vitória. O oleoduto que estava sendo construído, passando pelas terras sagradas dos Sioux teve sua construção interrompida. A decisão de não seguir com as obras naquela região foi do Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos, convencido não apenas da reivindicação dos povos originários sobre seu território sagrado, mas também do fato de que o oleoduto seria extremamente perigoso para o ambiente, visto que passaria por baixo do lago Oahe. Há uma longa lista de documentos comprovando que obras semelhantes seguidamente têm vazamentos e o óleo se expandido pelo lago poderia causar sérios prejuízos à região.

Assim, depois de muitas batalhas e repressão violenta, tanto por parte das forças policiais como dos seguranças da obra, os indígenas de todo mundo que acorreram a Standing Rock para apoiar o povo Sioux, finalmente puderam celebrar a retirada das máquinas e a proteção do território. 

Mas, poucos dias depois de assumir, o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encaminhou ao Corpo de Engenheiros uma ordem para que deliberassem pelo retorno das obras. Esperava-se que os engenheiros iriam manter a coerência já que a suspensão não foi política, mas técnica. Isso seria esperar demais. 

Nessa semana o Corpo de Engenheiros do exército anunciou que vai aprovar a etapa final da construção do oleoduto de Dakota Acess. Numa carta ao Congresso, o secretário interino do Exército, Robert Speer, afirmou que já está suspenso o estudo de impacto ambiental  do oleoduto e que a empresa Energy Transfer Partners poderá recomeçar as escavações no lago Oahe, no rio Missouri, que o mais importante da região. 

Não bastasse essa decisão de reiniciar a obra, o Corpo de Engenheiros também anunciou que sequer vai esperar o período de 14 dias que é dado para o início dos trabalhos. Ou seja, a empresa pode começar imediatamente a perfurar o túnel de quase dois quilômetros na reta final do oleoduto que passa por baixo do lago. 

Nos dias do anúncio da suspensão da obra, os indígenas e ativistas que estavam acampados em Standing Rock já sabiam que caso houvesse mudança no governo, as coisas poderiam reverter, por isso permaneceram mobilizados. Agora, toda a luta terá de ser reiniciada também, inclusive com a retomada do acampamento. O presidente do conselho da tribo Sioux, Dave Archambault falou sobre as obras: “Nos derrubaram novamente, mas voltaremos a ficar de pé. Vamos superar a ambição e a corrupção que existe e nos acossa desde o primeiro contato. Convocamos todas as nações nativas dos Estados Unidos a lutar juntas e unidas”. 

A grande batalha dos Sioux e dos demais povos indígenas que estão em luta é pela proteção da água. Um oleoduto passando pelo lago Oahe se reveste em grande perigo para o ambiente e para o grande rio Missouri. Além dos indígenas de toda a América Latina que estiveram e voltarão ao acampamento de Standing Rock, outros ativistas populares e das causas ambientais também retomarão a luta, tanto no campo legal como da ação política. 

Standing Rock segue em pé!