Standing Rock garante a paralisação do oleoduto

5 de Dezembro de 2016, por Elaine Tavares


A luta iniciada pela comunidade dos Sioux, em Dakota do Norte, e que agregou praticamente todas as etnias originários dos Estados Unidos e de toda América Latina, encerrou com vitória nesse domingo, dia 4 de dezembro. No apagar das luzes do governo Obama, o Corpo de Engenheiros do Exército conseguiu apresentar a proposta de uma rota alternativa para o oleoduto, não mais destruindo o espaço sagrado dos Sioux e com isso, protegendo também a água. O comunicado foi anunciado ontem, 04.12, por Jo-Ellen Darcy, secretária do Exército para a infraestrutura civil. O oleoduto estava sendo construído para ligar o estado de Dakota do Norte ao de Ilinois, passando por baixo do lago Oahe, no Rio Misuri.

Visando proteger o curso de água e os territórios sagrados a comunidade de Standing Rock passou a protestar fechando a estrada que levava às obras. A partir das primeiras manifestações, os Sioux foram juntando novos apoiadores, o que acabou criando um grande acampamento na região, com representantes de etnias de toda a América Latina. Muitos foram os confrontos com os seguranças privados e com a polícia estadunidense e muita gente foi presa por protestar. 

Há poucos dias, quando o inverno já se apresentava em toda a sua força, a polícia chegou a jogar água fria nos manifestantes, incluindo aí o ataque a velhos e crianças. Foi o ápice da maldade e as imagens correram o mundo, consolidando ainda mais a simpatia do mundo aos Sioux. 

Agora, com essa decisão do governo a empresa que controla a obra, Texas Energy Transfer Partners, que se negava a buscar uma alternativa de curso, terá de se curvar. O oleoduto foi orçado em quase quatro milhões de dólares e tem previsão de transportar mais de 470 mil de barris de petróleo por dia. Como já é de conhecimento público, esse tipo de obra tem registrado grande quantidade de vazamentos e essa era a maior preocupação dos Sioux, visto que passaria por baixo do rio, podendo comprometer a água. Por isso mesmo eles se autodenominaram “os protetores”. 

A comunidade celebrou a decisão do governo, mas segue atenta, afinal, nada garante que o novo presidente não mude os planos. 

Por enquanto, tudo é festa no acampamento, ainda que as obras já tenham destruído uma boa parte do território sagrado. 

A vitória do povo Sioux – na união com os demais povos originários de Abya Yala – é bastante significativa e repercute de maneira muito positiva em todo mundo. 

A celebração