Volume 2, Número 2 (2012)

Editorial

Reunir e trazer a público o conjunto de textos, resenha, ensaio fotográfico e vídeo que compõem este número de REBELA foi, para o coletivo editorial, um presente ao trabalho realizado no primeiro ano de vida da Revista e que, sabemos, continuará para os próximos... Autores de diversos países da região enviaram suas contribuições para a reflexão de temas instigantes, valorizando a contribuição dos intelectuais latino-americanos, consolidando um dos propósitos centrais de Rebela em defender a indissociabilidade entre teoria e prática; entre a luta cotidiana pela transformação da realidade e a reflexão sobre ela e sobre o processo; entre nossa tradição intelectual e nossos problemas contemporâneos. O artigo Contributions of Latin American revolutionary intellectuals for the study of the organization of liberating struggles de Maria Ceci Misoczky e Rafael Kruter Flores abre este número oferecendo-nos uma visão sobre o que é ser crítico, baseados em nossa tradição intelectual. Fazem-no por meio do diálogo entre as ideias de José Carlos Mariátegui, Ernesto Che Guevara e Paulo Freire, três intelectuais revolucionários da América Latina. A preocupação dos autores é contribuir para a construção de conhecimento contra-hegemônico na área disciplinar em que atuam – os Estudos Organizacionais. Em Reflexões em torno do pensamento de Augusto César Sandino, Rafael Cuevas Molina e Paulette Barberousse trazem também uma valiosa contribuição ao apresentar suas reflexões acerca do pensamento de Augusto César Sandino, intelectual militante nicaraguense, cujo nacionalismo anti- imperialista foi forjado nos anos de enfrentamento aos Estados Unidos da América. Seu chamamento à união latino-americana e a valorização do “próprio” como motor da contraposição ao imperialismo são inspirações para tantos pensadores e militantes latino- americanos. Em Autodeterminação das massas em uma sociedade “abirragada”: René Zavaleta Mercado e as bases para um marxismo renovado na Bolívia, Rodrigo Santaella Gonçalves soma-se ao esforço dos demais autores deste número, ao apresentar a produção teórica do marxista boliviano René Zavaleta Mercado, discutindo as categorias: “sociedade abigarrada” referente à complexidade da sociedade boliviana e a convivência mútua de diversos tempos históricos e modos de produção; e “autodeterminação das massas” que amplia a centralidade operária para conformação de um sujeito coletivo mais plural, de modo a englobar diversos setores subalternos em luta. 

Situando a discussão sobre as lutas e conquistas sociais na contemporaneidade, em seu artigo A Revolução Cidadã: o Governo Rafael Correa e os Movimentos Sociais no Equador, Gustavo Menon analisa a participação dos movimentos sociais no governo Rafael Correa (2007-2012), destacando as transformações no controle do mercado petrolífero, a contestação da dívida pública e a proclamação de uma nova constituição. Para o autor, os movimentos sociais fazem parte das bases de sustentação do governo; e sua atuação tem permitido as transformações e, recentemente, a resistência à tentativa de golpe de Estado no Equador. José Humberto Gonzales Reyes, Alberto Sebastián Barragán e Alexander López Orozco elaboram um Panorama da Educação Superior e Neoliberalismo em Chile, Colômbia e México em um estudo comparativo sobre os sistemas de educação superior em vista das condições conjunturais que estes países enfrentam, particularmente a partir da adesão ao neoliberalismo. Apresentam também um balanço da dualidade público-privado, refletindo sobre os papéis destes atores nos sistemas de educação superior naqueles países que, em que pese a suposta autonomia das políticas e práticas educacionais nacionais, apresentam similitutes significativas que requerem aprofundamento dos estudiosos da temática. A discussão sobre O Protagonismo Brasileiro no Século XXI: subimperialismo ou semiperiferia? é feita por Raphael Lana Seabra e Fabio Marvulle Bueno em vistas da natureza subimperialista ou semiperiférica de sua atuação. Tomando como referência o aumento da influência política e econômica brasileira nos planos regional e internacional, os autores sintetizam e avaliam as potencialidades interpretativas das categorias subimperialismo, de Ruy Mauro Marini, e semiperiferia, de Immanuel Wallerstein. Para Victor José Caglioni, uma das principais questões de reflexão sobre a cultura das ex-colônias latinas americanas é a identidade, dada sua vastidão e dinâmica construída ao longo da história de cada nação. Em Brasil e Caribe: sobre identidades e identificações, o autor destaca que a condição colonial que deu origem a essas nações e o regime de escravidão presente em todas elas, entre outros elementos, permitem traçar semelhanças históricas e culturais entre elas. Sob essas premissas, o autor procura identificar um movimento de autogestão cultural e pertencimento a um lugar, a uma nação, particularmente no Brasil e no Caribe. Fechando o conjunto de artigos Pâmela Marconatto Marques conta-nos Outras estórias haitianas: Educação, resistência e esperança no mais desconhecido dos países latino-americanos a partir de seu testemunho vivencial e poético mesclado com referências teóricas essencialmente caribenhas. Sua expectativa é de nos falar sobre um Haiti pouco conhecido, menos espetacularizado e, por isso mesmo, mais complexo e mais humano. 

Reafirmando o caráter latino-americano e crítico de REBELA, a resenha deste número cumpre o importante papel de contribuir para disseminar o pensamento de Augustin Cueva, tratado por René Baéz como o “Vigia do Continente”. Fechando este número, contamos ainda com o belo ensaio fotográfico “Cuba, que linda es Cuba, quien la conoce la quiere más”, de Marcela Cornelli, fruto de sua viagem à Ilha como integrante da Brigada Sul-Americana de Solidariedade a Cuba e com o video que registra o lançamento de Subdesenvolvimento e Revolução, de Ruy Mauro Marini, primeiro volume da Coleção Pátria Grande: Biblioteca do Pensamento Crítico Latino-Americano. Ficamos na expectativa de que comemorem conosco o primeiro ano de vida de REBELA, com a leitura, o deleite e a crítica dos textos, fotos e vídeo que consideramos dignos de nossa tradição intelectual e profícuos no estímulo à reflexão e debate dos problemas que nos tocam, em nosso espaço no mundo.

Boa leitura!

Coletivo Editorial

Resenhas

Ensaios Fotográficos

Autores desta edição