Volume 7, Número 2 (2017)

Editorial

A Revista Brasileira de Estudos Latino-Americanos, coordenada pelo Instituto de Estudos Latino-Americanos (UFSC) e pelo Grupo de Pesquisa Organização & Práxis Libertadora (UFRGS), apresenta o número dois, do sétimo volume. A cada ano, desde 2011, compartilhamos três edições de artigos, resenhas e ensaios fotográficos que representam o esforço de construção de um pensamento próprio e crítico sobre a América Latina. Nessa edição, além dos textos estamos também apresentando um novo desenho gráfico, ainda que dentro das limitações da plataforma, para tornar o projeto ainda mais atrativo. Com a incorporação de Luciano Teixeira, estudante de Design, estamos incluindo também as cores vivas que caracterizam “Nuestra América”.

Abre a revista o texto do professor e historiador argentino Alejandro Olmos escrito com a professora Florência Melo, “Endividamento público e orçamento nacional: uma mirada da dívida pública argentina a partir da dívida social (2000-2015)”, que apresenta o sempre necessário tema da dívida pública que, na Argentina como em todos os países dependentes da América Latina, é responsável por uma crescente dívida social. O segundo texto, do professor Lauro Mattei, “Trajetória e atualidade da desigualdade na América Latina”, concretiza em dados essa dívida social na medida em que apresenta a trajetória da desigualdade na América Latina, mostrando os equívocos do modelo de desenvolvimento que, ao contrário de constituir uma vida digna às maiorias, concentra a riqueza e provoca a pobreza. Em seguida, José Carlos Martines Belieiro Junior e Gaston Ernesto Passic Livacic oferecem o texto “Estados Autoritários no América Latina: uma revisão crítica ao conceito de Estado Burocrático-Autoritário em Guillermo O’Donnell”, discutindo os regimes que apareceram na América Latina nos anos de 1960 e 1970 e que aprofundaram ainda mais a desigualdade e a pobreza das populações.

Na perspectiva da resistência, Ariel Martins Carriconde Azevedo discorre sobre o surgimento de novos movimentos sociais ancorados na luta contra essa proposta de desenvolvimento baseada na retomada do extrativismo. No texto “Projetos extrativistas de grande escala frente a diferentes cosmologias populares de resistência”, ele mostra como o neoliberalismo acabou sendo o estopim para essas novas lutas. Ainda na mesma linha de discussão sobre o modelo de desenvolvimento assumido pelos países latino-americanos Sergio Martin Páez traz “Notas sobre Neoliberalismo, Geopolítica e Estratégias nacionais de desenvolvimento de América Latina no começo do século XXI”, avaliando seus limites e oportunidades.

Ana Carolina Lima Gomes centra seu foco na Venezuela, país que iniciou no final dos anos 1990 um processo importante de integração concreta da América Latina e que, por isso, vem sendo duramente atacado desde fora e desde dentro. No texto “A ascensão reacionária junto à Revolução Bolivariana e seus desdobramentos para a democracia na Venezuela”, ela analisa esse efervescente ambiente de disputa de projeto na perspectiva da luta de classes.

A cultura nacional também aparece nesse número com o debate acerca do feminino numa das principais obras do escritor brasileiro Jorge Amado. Bruno Hatschebach e Aparecida Favoreto trazem “Notas preliminares acerca do feminino em Jorge Amado: da subserviência às transgressões em Gabriela, cravo e canela”, e discutem também as transformações na economia e a resistência da oligarquia diante das novas configurações de desenvolvimento. E para fechar o espaço dos artigos, Diego Martins Dória Paulo apresenta um estudo de caso relativamente ao jornal O Panfleto, porta-voz de organizações como a Frente de Mobilização Popular que nos anos de 1960, receberam muitas críticas quanto a sua concepção de democracia. No texto “Leonel Brizola e a defesa da democracia: um estudo de O Panfleto (1963-1964)” o autor faz uma revisão crítica do conteúdo do jornal.

A resenha dessa edição é uma contribuição de Marcos Antônio da Silva e Lucimara Inácio do Prado da Silva que apresentam uma análise do livro “Cuba: empresas y economia”. No texto “Cuba: a ‘fruta proibida’ da América Latina? Uma análise de Cuba: empresas y economia” eles descortinam a proposta do autor e desvelam um pouco do país caribenho.

Os ensaios fotográficos trazem duas propostas de discussão através da imagem. A primeira apresenta o trabalho do fotógrafo documental argentino Facundo Cardella, “Senhor de Qollurity, tradição andina”, uma fantástica mirada sobre as celebrações feitas em honra do senhor de Qollurity, na região de Cusco, Peru, um antigo costume religioso praticado pelos habitantes dos Andes. A segunda proposta imagética discute a cidade e sua conformação de classe. No trabalho “Cidade para quem? Projeto ‘Residência Itatiaia’ e a estética descolada do real”, Cristiana Lara Cunha, Simone Evangelista Fonseca e Anderson Rocha de Jesus Fernandes mostram o projeto ‘Residência Itatiaia’, uma intervenção urbanográfica proposta por artistas mineiros através do grafite.

Esperamos que esse novo número da REBELA possa ajudar ainda mais na compreensão dos grandes problemas da América Latina.

Boa leitura!

Coletivo Editorial

Resenhas

Ensaios Fotográficos

Autores desta edição