Volume 8, Número 2 (2018)

Editorial

Apresentamos mais um número da Revista Brasileira de Estudos Latino-Americanos, finalizada na parceria entre o IELA/UFSC e o Grupo de Pesquisa Organização & Práxis Libertadora, da UFRGS, com textos que refletem o pensamento crítico produzido nesse nosso continente. Abrimos o volume com uma importante contribuição do professor e escritor Gilberto Felisberto Vasconcellos, que apresenta o texto: Da barroca obnubilação brasílica à resignação cosmopolita na sociologia de Guerreiro Ramos, trazendo à luz a poderosa análise desse pensador brasileiro, ainda esquecido na academia. Em seguida, Natan dos Santos Rodrigues Júnior e Epitácio Macário Moura apresentam um estudo sobre as relações entre o subimperialismo brasileiro - conceito formulado por Ruy Mauro Marini no âmbito da Teoria Marxista da Dependência (TMD) - e a Teoria Marxista do Imperialismo (TMI), tendo por base a formulação de Lênin, no texto: O (sub)imperialismo: Lênin, Marini e o debate contemporâneo.

O mexicano José Carlos Valenzuela Feijóo propõe indagar analiticamente o desenho de uma macroeconomia de inspiração marxista no artigo: Mais-valia produzida, Mais-valia realizada, Investimento Nacional: Aproximação a uma macroeconomia marxista. Marcos Antonio da Silva analisa a “épica revolucionária” e a construção da narrativa mitológica sobre a Revolução Cubana, a partir de algumas fotografias emblemáticas. Discute assim o papel da imagem na sociedade contemporânea e sua relação com os eventos revolucionários no texto: Revolução, fotografia e construção narrativa: uma introdução a “Épica Revolucionária Cubana”. Roberto Bitencourt da Silva problematiza a difusa e pouco rigorosa categoria interpretativa do “nacional-desenvolvimentismo”, assinalando contornos conceituais e teóricos que possibilitem distinguir o desenvolvimentismo do nacionalismo, a partir da mobilização parcial do debate intelectual promovido entre os anos 1940 e 1960, envolvendo estudiosos associados à Cepal e ao Iseb no artigo: Desenvolvimentismo, Dependência, Nacionalismo e Socialismo: Notas teóricas, os governos Lula e Dilma e o cenário pós-golpe de 2016.

Marisa Soares apresenta o texto: A decolonialidade do saber e o autoconhecimento para o viver bem, no qual explica porque a prática filosófica ilumina o pensar humano para que se transcenda a homogeneidade de uma epistemologia subsumida em si mesma, buscando uma transdisciplinariedade cultural e epistemológica. Mateus Gabriel Branco Gabriel Branco assina o artigo: Desafios e perspectivas para a justiça ambiental face à nova realidade das mudanças climáticas, e discute quais os desafios da categoria Justiça Ambiental em tempos de Mudança Climática planetária debatendo três objetivos específicos: a) as definições doutrinárias para a categoria Justiça Ambiental; b) os desafios que o processo em curso de Mudança Climática impõe às populações mais vulneráveis; c) as perspectivas futuras relacionadas com a efetivação da Justiça Ambiental.

Por fim, Bruno Guilherme Hatschebach e Aparecida Favoreto se debruçam sobre a obra Mar Morto, de Jorge Amado, investigando as intersecções de classe e gênero na tematização sobre o feminino, particularmente nas personagens Lívia e Rosa Palmeirão, no texto Tragédia, Afeto e realismo em Jorge Amado: das brumasem Mar Morto às intersecções de classe e gênero.

Na seção de resenhas a Rebela apresenta o texto: A hegemonia brasileira na Bacia do Prata, de Tiago Soares Nogara, o qual discute a obra de Luiz Alberto Moniz Bandeira acerca do tema da formação dos Estados nacionais na Bacia do Prata. Em seguida, Ézio Sauco Socca, apresenta o texto: “A reforma universitária de Córdoba”, de Roberto Díaz Castillo (1971), no qual discorre sobre a obra citada.

Nesse número temos ainda a entrevista “A política migratória argentina hoje” realizada por María del Carmen Villarreal Villamar com Lucila Nejamkis, Doutora em Ciências Sociais, investigadora CONICET-IDAES-UNSAM e professora na Universidade Arturo Jauretche (UNAJ), na qual destaca as mudanças recentes da política migratória argentina que, desde a chegada ao poder do presidente Mauricio Macri, tem favorecido o tratamento das migrações a partir da perspectiva da segurança.

O ensaio fotográfico é do fotógrafo e jornalista Rubens Lopes que apresenta a Marcha das mulheres brasileiras contra o atraso, reportagem fotográfica realizada em Florianópolis, Santa Catarina, durante a histórica marcha das mulheres contra a política homofóbica e misógina desencadeada pelo candidato Jair Bolsonaro durante as eleições presidenciais de 2018, no Brasil.

Esperamos que tenham uma boa leitura.

 

Coletivo Editorial

Ensaios Fotográficos

Autores desta edição