Senado aprova o fim da escala 6 x 1
Texto: Elaine Tavares
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Por Rafael Cuevas Molina - Presidente AUNA-Costa Rica em 14 de setembro de 2026
Desde a invasão em 1492 até hoje, segue o saque das riquezas
Já sei que é *démodé* falar em Terceiro Mundo, mas é uma denominação que todos entendem e que, em última análise, continua designando a mesma coisa que hoje — por pura moda — chamam de outra forma: Sul Global ou países em desenvolvimento, por exemplo; denominações que, um dia, também cairão em desuso.
No Terceiro Mundo, como eu dizia, ser rico em recursos naturais parece ser uma maldição. Certamente, seria preciso esclarecer que se trata de uma maldição no contexto em que vivemos: o de um capitalismo predatório e o de países imperiais que não hesitam em violar as normas que eles mesmos estabelecem para tentar organizar um pouco o mundo onde repartem o espólio.
Possuir os recursos naturais necessários para as economias desses países poderosos coloca você na mira de suas ambições. Dependendo do momento histórico, pode ser o ouro ou a prata, o níquel, o cobre ou o lítio — este último, um mineral sobre o qual eu, pessoalmente, não tinha ouvido falar até pouco tempo atrás, quando as chamadas tecnologias alternativas ou “limpas” surgiram com força no mundo.
Ao tentar se apropriar do mineral ou recurso material de que necessitam no momento, os predadores matam ou morrem. Isso acontece há muito tempo: tentando escapar do cerco em que os astecas os haviam encurralado em Tenochtitlán, dezenas de espanhóis das tropas de Hernán Cortés morreram afogados no lago de Texcoco devido ao peso do ouro que carregavam em sacos amarrados ao corpo durante a fuga.
Por nossa parte, os territórios que possuem as riquezas de que as economias predatórias necessitam sofrem as consequências de uma ambição que não conhece limites e que se vale de qualquer artimanha para se apropriar delas. Ter minerais no subsolo — algo que deveria ser visto como uma vantagem ou uma sorte — transforma-se em uma espada de Damocles; isto é, em uma espécie de armadilha que, a qualquer momento, será acionada para nos deixar encurralados.
Na Nigéria, que teve a sorte de possuir enormes reservas de petróleo, sucedem-se guerras entre diferentes grupos tribais, instigadas por companhias petrolíferas que, além de contaminarem o exuberante delta do Níger, lucram com os confrontos.
Isso ocorre na África, mas nem é preciso mencionar o que acontece no Irã — situação que gera repercussões mundiais e na qual Donald Trump se viu atolado em uma guerra, enganado pela sua própria percepção de corretor de imóveis arrogante. E, nessa mesma região, houve antes o caso do Iraque — país devastado que nos deixou cenas dantescas de poços de petróleo em chamas, lançando colunas de fumaça negra aos céus, enquanto soldados norte-americanos avançavam pelo deserto; soldados que, mais tarde, retornariam sofrendo de estresse pós-traumático e acabariam morrendo devido às drogas nas ruas de Los Angeles.
E assim acontece conosco na América Latina. Os grandes espólios agora são as famosas terras raras e o motor energético do nosso mundo: o petróleo. O Triângulo do Lítio, compartilhado por Chile, Argentina e Bolívia, está na mira, e a cobiça por ele aumentará à medida que novas tecnologias se consolidarem na chamada transição energética — que, no fim das contas, será igualmente devastadora.
E há a Venezuela, cujo presidente foi sequestrado pelos Estados Unidos; mantido como refém e sufocado pela ameaça de invasão e devastação, o país é pressionado a conceder direitos de exploração de suas vastas reservas de petróleo, garantindo assim a sobrevivência dos EUA como superpotência mundial.
Nesse contexto, seria importante voltar o olhar para pequenos países que, embora não possuam grandes riquezas naturais no subsolo, conseguiram construir sociedades relativamente estáveis. Refiro-me ao Uruguai e à Costa Rica, nações que lograram edificar sociedades relativamente equilibradas, cultas e tranquilas.
Ambos possuem uma história de intervenção estatal desde o século XIX, conferindo à educação um papel central, e souberam construir instituições baseadas na ideia de solidariedade social, atenuando as desigualdades econômicas — inevitáveis no sistema capitalista em que se estruturam.
São países sem grandes epopeias emancipatórias, pequenos e com expressivas classes médias que priorizam a tranquilidade e a estabilidade. Não atraem aqueles que buscam um palco para se exibir — pois até eles chega, nas palavras de um poeta costarriquenho, mais a espuma do que as ondas —, mas oferecem, no mínimo, aquilo que talvez muita gente anseie neste mundo convulso: distância de sangrentos conflitos armados, um teto e o respeito a certos direitos básicos.
Talvez possamos tirar uma lição disso: é preciso apostar nas pessoas, enriquecendo-as educacional e culturalmente; oferecer-lhes uma estrutura institucional o mais sólida possível, que garanta seus direitos; e um sistema de saúde preventivo, que as acompanhe no cotidiano e nas fases em que o corpo se enfraquece. Esse recurso natural — pessoas saudáveis, instruídas e seguras — não resultará em uma sociedade de superabundância consumista baseada no rentismo ou no extrativismo, mas possibilitará sociedades mais sóbrias e, por que não?, mais felizes.
Texto: Elaine Tavares
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