Projeto dos Minerais Críticos dificulta proposta da Terrabras
Texto: IELA
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Rodrigo Chaves, do PAC, entrega o cargo no dia 8 de maio
A Costa Rica está vivenciando uma situação surpreendente e inexplicável: um país outrora caracterizado pela tolerância, gentileza e boas maneiras — um país descrito pelo resto da América Central como “educado” e até considerado por alguns como “domesticado” por sua tranquilidade e ausência de beligerância — transformou-se em pouco tempo em algo completamente diferente.
Esse “algo diferente” é o completo oposto do que existia antes: é intolerante, abusivo, agressivo e vociferante, e se insurge contra um inimigo culpado por todos os males imagináveis.
Um desses males é a corrupção. O discurso dominante identifica os corruptos com “as mesmas caras de sempre”, que são basicamente os partidos políticos e os políticos que governaram o país até quatro anos atrás. Diz-se que esses partidos e políticos arruinaram o país, levando-o à ruína enquanto se enriqueciam mutuamente.
O principal alvo é o Partido da Libertação Nacional (PLN), um partido socialdemocrata que foi um dos principais arquitetos da Costa Rica construída na segunda metade do século XX, um país que se destacou na América Latina por estabelecer um forte estado de direito e instituições que proporcionaram saúde e educação exemplares.
Essa notável conquista também foi acompanhada por atos de corrupção, negócios obscuros e peculato que levaram alguns de seus principais líderes, ex-presidentes e ex-ministros, ao banco dos réus. Alguns deles foram presos ou envolvidos em incidentes vergonhosos, como o do ex-presidente que, após ser eleito Secretário-Geral da OEA depois do término de seu mandato, teve que renunciar e ser escoltado para fora do avião vindo de Washington algemado pela polícia.
Ele não foi o único. O filho de um dos mais notórios chefes políticos do século XX, José Figueres Ferrer, deixou o país por vários anos até que os crimes pelos quais era acusado, depois de também ter servido como presidente da República, prescrevessem. Esses são apenas alguns exemplos; houve muitos outros, tanto principais quanto secundários, dentro desse partido e em outros, como o Partido da Unidade Social Cristã (PUSC), com o qual o PLN se alternava no poder, formando assim um verdadeiro sistema bipartidário.
Nessas circunstâncias, há doze anos, os costarriquenhos apostaram em um partido emergente que havia se desvinculado do PLN, o Partido da Ação Cidadã (PAC), que inicialmente se apresentava também como socialdemocrata, mas um pouco mais alinhado com os partidos da onda progressista latino-americana dos primeiros quinze anos do século XXI.
Mas o PAC, embora tenha tido a oportunidade de governar por oito anos, incluindo dois mandatos presidenciais consecutivos, traiu as expectativas que havia criado. Em vez de retornar ao caminho rumo a uma Costa Rica com justiça social que o curso neoliberal havia distorcido, o que fez foi insistir naquele caminho que aprofundou a desigualdade que transformou o país em um dos mais desiguais da América Latina: promoveu uma reforma tributária regressiva, limitou a liberdade sindical e suas possibilidades de protesto e não hesitou em reprimir duramente os protestos cidadãos.
Assim, os costarriquenhos decidiram procurar um forasteiro, uma figura desconhecida que estivera ausente do país por trinta anos, que trabalhara no Banco Mundial, de onde fora demitido devido a acusações de assédio sexual, e que literalmente ninguém conhecia. Rodrigo Chavez.
Foi esse arrivista que implementou e legitimou um novo estilo de interação social no qual não se poupam insultos, palavrões ou frases depreciativas contra aqueles que pensam diferente dele ou que ocupam cargos no aparato estatal, que ele considera ninhos de corrupção.
Sua liderança se baseia na polarização e na estigmatização agressiva e desenfreada do outro. Os insultos que ele dispara indiscriminadamente são certamente os mesmos que as pessoas comuns gostariam de lançar contra tudo o que ele alega ser a causa dos males do país. Ele escolheu aqueles que deveriam ser alvo de ridículo: o PLN (Partido da Libertação Nacional), o judiciário e os comunistas (que na verdade não são comunistas), e não passa uma semana sem que ele os insulte e denigra publicamente na televisão. Grande parte da população o apoia e o celebra, aplaudindo seu estilo “franco” e “sem rodeios”, e pretende apagar o passado, um passado que ostentava instituições exemplares que lhes proporcionavam um padrão de vida excepcional.
O ressentimento é canalizado por meio de medidas desesperadas, sem nenhuma alternativa real à vista. Após quatro anos no cargo, que terminarão em 8 de maio, nenhum progresso ou conquista real pode ser identificado em qualquer área. O próximo governo será, como já anunciado, uma continuação do atual, e isso agrada a muitos, que tentam silenciar qualquer um que aponte a perda de rumo.
Quem conheceu a Costa Rica de outrora, de dez ou vinte anos atrás, quanto mais de trinta ou quarenta, teria dificuldade em acreditar no que veria ou ouviria hoje. Isso certamente já aconteceu antes em outros lugares, e as massas também foram enganadas por líderes desse tipo. Depois, quando já era tarde demais, lamentaram. Mas a verdade é que na Costa Rica ocorreu uma mudança em que um modo de ser — isto é, uma cultura, uma visão de mundo — se transformou diante dos nossos olhos. O que se acreditava ser inabalável foi abalado e transformado em algo diferente.
Cientistas sociais interessados no tema das identidades coletivas devem prestar atenção a esse fenômeno que, diante de seus olhos e em tempo real, demonstra como a cultura pode ser transmutada em um período relativamente curto e alterar o perfil identitário de um povo.
Texto: Yasser Jamil Fayad - Médico e escritor
Texto: Elaine Tavares
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Texto: Revista Pacto - Colômbia
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