Projeto dos Minerais Críticos dificulta proposta da Terrabras
Texto: IELA
Aguarde, carregando...
A águia segue rapinando…
Por mais de um século, a ideia segundo a qual os países da América Latina e do Caribe, junto com os Estados Unidos e Canadá, são um conjunto a parte do resto do mundo, com valores e interesses compartilhados, tem sido uma premissa fundamental da postura geral estadounidense com respeito a América Latina.
Essa ideia cristalizou-se no conceito, idealizado por John Quincy Adams, que foi formulado politicamente pelo quinto presidente dos Estados Unidos, James Monroe, em 1823, como “América para os americanos”. Baseia-se na premissa de que os Estados Unidos são um povo e um país predestinados a alcançar e liderar certos objetivos, não apenas para si mesmos, mas para toda a humanidade, conforme expresso na Doutrina do Destino Manifesto, que serve de base para seu expansionismo, apelando para a salvaguarda dos interesses e da segurança nacional.
A ideia da preeminência dos Estados Unidos é antiga e remonta a antes de sua independência. Por exemplo, Thomas Jefferson, um dos pais fundadores do país, conhecido como o “pai do expansionismo americano”, já havia declarado em 1809 que a consolidação dos Estados Unidos como um “império da liberdade” e da democracia exigia a expansão territorial.
Como se pode ver, a nação americana nasceu da expansão.
A Doutrina Monroe foi atualizada com o Corolário Roosevelt em 6 de dezembro de 1904, que estabelecia que, se um país da América Latina ou do Caribe ameaçasse ou colocasse em risco os direitos ou a propriedade de cidadãos ou empresas dos EUA, o governo americano seria obrigado a intervir nos assuntos internos do país “rebelde” para restaurar a ordem e restituir os direitos e a propriedade de seus cidadãos ou empresas. Isso, na prática, representou uma carta branca para a intervenção dos EUA na América Latina e estabeleceu direitos neocoloniais de fato sobre a região.
Assim, foram lançadas as bases para justificar toda a interferência e intervenção que os Estados Unidos perpetraram na América Latina, especialmente na América Central e no Caribe, mesmo antes dessa data. O que ficou conhecido como Corolário Trump, ou Doutrina Donroe, é simplesmente uma atualização, assim como o Corolário Olney (1895) e o Corolário Roosevelt (1904) o foram em sua época, adaptada a circunstâncias históricas específicas.
A Doutrina Donroe, uma verdadeira política ofensiva de Washington em relação à América Latina, com os objetivos explícitos de conter a influência chinesa e russa e combater “ameaças” como a migração e o narcotráfico, foi gradualmente refinada ou delineada por diferentes membros do governo Trump. A versão mais recente foi divulgada pelo Secretário de Defesa — ou Secretário da Guerra, como este governo prefere chamar — Pete Hegseth, na recente Conferência das Américas contra os Cartéis, realizada em Miami no início de março.
De acordo com essa atualização, o “perímetro de segurança” da América do Norte agora é chamado de Grande América do Norte e se estende do Alasca, incluindo a Groenlândia e o Canadá (que Trump disse querer anexar), México, todo o Caribe e a América Central, Colômbia, Venezuela, Equador e Guiana. Em outras palavras, ao sul dos Estados Unidos, todo o Grande Caribe e um pouco além.
Antes dessa declaração, o governo dos EUA já vinha tomando medidas para consolidar essa nova visão hegemônica. O passo anterior foi uma reunião realizada alguns dias antes em Miami, Flórida, com líderes latino-americanos, que levou à assinatura de um documento de segurança chamado Escudo das Américas. Kristi Noem, a recém-demitida Secretária de Segurança Interna, foi nomeada para liderar essa iniciativa e, imediatamente após a reunião, embarcou em uma turnê pelos países agora reclassificados, recebendo saudações obsequiosas e servis de suas mais altas autoridades.
Agora que estamos cientes de nossa nova posição no cenário geoestratégico global — algo que sabemos desde 1856, quando expulsamos o bando de filibusteiros americanos da América Central que buscavam tomar nossos países — devemos nos preparar para quando o governo imperialista dos EUA voltar sua atenção para nós, uma vez que o governo americano esteja com o rabo entre as pernas após ser enganado pelos esquemas que está executando no resto do mundo.
Já se especula que a próxima vítima, situada no coração da Grande América do Norte, será Cuba. Tentaram de tudo com ela, o imaginável e o inimaginável, o confessável e o inconfessável, mas lá está ela, como uma rocha resiliente no meio do Mar do Caribe. Vamos ver que nova afronta inventarão agora.
Texto: Yasser Jamil Fayad - Médico e escritor
Texto: Elaine Tavares
Texto: Elaine Tavares
Texto: Revista Pacto - Colômbia
Texto: Elaine Tavares