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As terras raras são nossas

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Por Cauê Fernandez - Aluno da Geologia/Bolsista IELA em 11 de maio de 2026

As terras raras são nossas

Com o desenvolvimento científico e tecnológico das últimas décadas, surgiu um grande aumento de demanda pelas chamadas “terras raras”, um grupo de 17 minerais muito utilizados em indústria de alta tecnologia, e o Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo.

Tendo um quase monopólio do mercado mundial, a China conta com aproximadamente 50% das reservas de terras raras do mundo, e é responsável por mais de 60% da extração e mineração e mais de 90% do refino mundial, também sendo uma das maiores consumidoras, dado seu gigantesco parque industrial. O Brasil então se encontra em uma posição chave para a geopolítica envolvendo esses recursos minerais. Enquanto isso, os EUA aumentam o cerco imperialista contra a América Latina, com o retorno da política Monroe, como apontado pelo documento de 2025 “National Security Strategy of the United States of America” (página 15).

Dado este cenário geopolítico, surge a necessidade de nacionalizar esses recursos críticos. Para tanto já existe proposta de criação de uma empresa estatal (apelidada de Terrabras), para ficar responsável pela mineração e refino, evitando que estes recursos não se transformem em meras commodities de exportação. O Brasil arcaria com os custos ambientais, mas receberia uma fração com a venda desses recursos brutos. O desenvolvimento tecnológico necessário para o refino pode e deve ser feito em parceria com empresas e agências chinesas, dado que são os únicos no mundo com capacidade de produção em larga escala.

A situação atual é muito semelhante ao momento histórico da criação da Petrobras e a política de massas “O Petróleo é Nosso”. Considerando a necessidade desses minerais para o desenvolvimento industrial moderno, é imprescindível que a defesa da nova estatal como uma parte da luta anti-imperialista seja pauta prioritária para a esquerda, principalmente em ano eleitoral.
Esforços nesse sentido já existem, como o PL 1754/2026 (do deputado federal Pedro Uczai PT-SC).

Empresas brasileiras já perdidas para multinacionais:

Mineração Terras Raras é vendida à empresa australiana Power Minerals por 22,5 milhões de dólares australianos (80,3 milhões de reais brasileiros ou 16 milhões de dólares dos EUA).

Serra Verde, vendida para USA Rare Earth minerals por US$2,8 bilhões (13,8 bilhões de reais).

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