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Bolivianos protestam contra decreto que aumenta o preço da gasolina

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Por Elaine Tavares em 29 de dezembro de 2025

Bolivianos protestam contra decreto que aumenta o preço da gasolina

A Bolívia viveu na semana do Natal grandes protestos protagonizados por sindicatos e organizações sociais filiados à Central Obrera Boliviana (COB) em protesto contra  o Decreto Supremo 5503, assinado pelo presidente Rodrigo Paz, que define o fim do subsídio aos hidrocarburos, o que significa aumento no preço da gasolina (86%), além de outras medidas de ajuste econômico.

Ontem, a COB definiu um pacto de unidade com camponeses, trabalhadores da cidade e professores rurais, visando engordar os protestos. Nesta segunda-feira o movimento chega ao sétimo dia e deve se fortalecer nos primeiros dias de janeiro, inclusive, com greves de fome e ocupação de estradas.

Segundo as lideranças sindicais, o decreto privilegia as transnacionais, empresários e as agroindústrias, enquanto que para o povo boliviano significa mais um aperto no orçamento, visto que a cesta básica deve também sofrer aumento. A grande base das mobilizações é o setor mineiro, mas até a Confederação dos Médicos aderiu.

Os protestos tomaram as ruas centrais de La Paz, com manifestações em frente ao Palácio do Governo e também na sede do Legislativo. Já no dia 27, o governo decidiu aumentar o preço das tarifas do transporte público, o que deu mais um impulso a movimentação, fazendo com que a proposta de protestos se mantivesse inclusive agora, na semana do Ano Novo.

Os dirigentes da COB anunciaram uma campanha nacional de informação para explicar à população o real alcance do decreto que, além de cortar na carne dos mais pobres, vai permitir o avanço das transnacionais sobre os recursos naturais. A COB também informou que os protestos podem se intensificar caso alguma transnacional inicie operações no país.

A decisão do presidente Paz não surpreende, visto que já era sabido que seu governo não iria seguir apostando na nacionalização da exploração do gás e de outros recursos naturais. O lítio, por exemplo, que é cobiçado pelas empresas estrangeiras, é um setor estratégico que logo pode escapar das mãos da Bolívia. Os trabalhadores insistem que não é apenas um “gasolinaço”,  são 121 artigos do Decreto que impactam e prejudicam o Estado Plurinacional da Bolívia.

O governo de Rodrigo Paz que assomou num momento de divisão das forças mais à esquerda, apesar de se anunciar de centro, claramente já mostrou a que veio. Além de procurar eliminar todos os traços indígenas da gestão, sua bússola aponta para o norte, ou seja, para a submissão aos Estados Unidos.

Mas, quem conhece a Bolívia sabe que os protestos populares têm muita força e ao longo dos anos conseguiram garantir conquistas importantes, como a Guerra da Água impediu a privatização da água e a Guerra do Gás colocou para correr o presidente Sanchez de Lousada. Derrubar presidentes e enfrentar multinacionais não é novidade para os trabalhadores bolivianos.

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