Venezuela submissa
Texto: Elaine Tavares
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Imagem: Apib
As comunidades indígenas estão realizando intensas mobilizações no estado do Pará, em luta pela revogação do decreto presidencial 12.600/2025 e em defesa do rio Tapajós. Este decreto, assinado pelo presidente Lula, privatiza mais de três mil quilômetros de trechos de três importantes rios. São 1.731 km do rio Tocantins, entre Belém e o município de Peixe, no Tocantins; 1.075 km do rio Madeira, de Porto Velho até Itacoatiara, onde encontra o rio Amazonas, e 250 km do rio Tapajós, de Itaituba à sua foz, no belo encontro das águas que embeleza a frente de Santarém.
E é justamente aí que estão concentrados os protestos na denúncia de que com este decreto o governo simplesmente transforma os rios em um corredor privado de exportação de soja a serviço do agronegócio, sem respeitar os direitos territoriais, culturais e ambientais dos povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais da região.
Já desde há mais de 15 dias os indígenas iniciaram os protestos ocupando o porto da Cargill, acusada de operar com irregularidades no direito ambiental e violar os direitos das comunidades originárias. Também denunciam que a instalação do porto destruiu um cemitério indígena ancestral, agravou o desmatamento, incentivou a grilagem de terra, contaminou rios e solos com agrotóxicos e ameaça o modelo de vida de populações tradicionais.
Ontem, foi a vez de os indígenas fecharam o acesso ao Aeroporto de Santarém, buscando dar mais visibilidade à luta, já que como sempre acontece, o grito fica abafado pela mídia comercial.
Os povos originários brasileiros que somam mais de 300 etnias ocupam apenas cerca de 12 % do território mas, ainda assim, todos os dias, têm seus direitos violados por conta do avanço do agronegócio e da mineração.
Com esse decreto, que torna o imenso Rio Tapajós, e mais outros dois importantes rios da Amazônia, em um espaço privado, o presidente Lula assina também a morte o do rio em nome do lucro de fazendeiros e empresários. Tudo isso sem ouvir os povos indígenas sobre o que lhes afeta diretamente.
O ataque aos três grandes rios da Amazônia (Tocantins, Madeira e Tapajós) é bem mais do que uma privatização, e pode se configurar numa mudança radical do ecossistema da região amazônica. Ou seja, o decreto não toca apenas os indígenas que vivem naquele espaço geográfico, mas a todos os brasileiros já bastante penalizados com as mudanças climáticas, fruto da destruição desenfreada.
Assim, Lula, enquanto pronuncia discursos bonitos pela defesa do meio-ambiente, e grave vídeos, emocionado, em uma visita ao rio Tapajós dizendo que aquilo é lindo e que o brasileiro precisa conhecer os seus rios e a sua diversidade, está, na prática, contribuindo para o aniquilamento não só dos rios, mas das comunidades cujas vidas dependem deles.
Texto: Elaine Tavares
Texto: Rafael Cuevas Molina - Presidente AUNA-Costa Rica
Texto: IELA
Texto: Elaine Tavares
Texto: IELA