Venezuela submissa
Texto: Elaine Tavares
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O parlamento peruano voltou a destituir um presidente da República. Por 75 votos contra 24 e três abstenções, os deputados aprovaram uma moção de censura contra o atual mandatário José Enrique Jerí Oré, o que acabou por tirá-lo da presidência. As acusações de irregularidades são várias, mas a que pesou mais foi a de reuniões secretas com empresários chineses. Também foram apresentadas denúncias de contratações irregulares por parte do governo e enriquecimento ilícito.
José Jerí foi escolhido presidente pelo mesmo Congresso há cerca de quatro meses, quando a então presidente Dina Boluarte foi destituída, depois de governar por três anos. Ela foi acusada de incapacidade moral e também perdeu o cargo. Dina havia sido eleita como vice na eleição que escolheu o professor Pedro Castillo em 2021. Quando ele quis dissolver o Congresso por conta das inúmeras denúncias de corrupção e abuso, o Congresso promoveu o golpe que o destituiu e o colocou na prisão. Dina assumiu, aliando-se aos corruptos e fez um governo muito marcado por violência, repressão e irregularidades.
Hoje, uma nova reunião do parlamento deve selecionar entre seus pares um presidente interino para governar até julho. Estão programadas eleições agora em abril, mas a posse só acontecerá em julho.
A instabilidade do Peru tem sido uma constante desde o ano de 2016, quando se iniciou uma crise política durante o governo de Pedro Pablo Kuczynski, que acabou renunciando ao governo em 2018. Quando Pedro Castillo se elegeu em 2021, seu perfil popular – era professor rural e sindicalista – trouxe esperança, mas ao tentar combater o Congresso e todo o esquema de corrupção que o envolve, acabou sendo deposto e a crise seguiu. Em dez anos foram oito presidentes.
Conforme denúncias divulgadas nos jornais peruanos, o Congresso mais uma vez procedeu contra a Constituição, não cumprindo certas regras para a destituição. Acusações frágeis e não cumprimentos de prazos legais são algumas das acusações contra os deputados. Mas, ao que parece, a vida da nação seguirá sendo decidida dentro das paredes do legislativo, envolvido em lutas intestinas de poder.
Nas ruas do país os movimentos sociais seguem com a luta. Nenhum deles respaldava este presidente. “Ninguém elegeu. José Jarí . Ele é só mais um que representa a direita asquerosa. Ele e qualquer outro do Congresso”.
Para as eleições de abril as figuras que seguem na ponta são o conservador Rafel Lopez Aliaga, e a filha do ditador Alberto Fujimori, Keiko. Pesquisas recentes mostram um rechaço de 85% ao Congresso e uma completa rejeição ao sistema político, tanto que nenhum candidato consegue ultrapassar 15% das intenções de voto. A tendência, considerando a grande abstenção que deve advir, é a direita seguir comandando, a menos que algum candidato completamente fora do quadro apareça, abrindo espaço para a novidade. No campo mais progressista surge José Luna, do Podemos Peru, que já declarou, na campanha que vem fazendo pelo país, que vai anistiar Pedro Castillo e promover uma reforma na Constituição.
Até agora, cai presidente, assume presidente, mas, quem realmente manda no Peru, são as frações da classe dominante aliada aos Estados Unidos.
Texto: Elaine Tavares
Texto: Rafael Cuevas Molina - Presidente AUNA-Costa Rica
Texto: IELA
Texto: Elaine Tavares
Texto: IELA