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Curso Livre do IELA – Gestão Política da Barbárie

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Por IELA em 08 de setembro de 2026

Curso Livre do IELA – Gestão Política da Barbárie

Além da conferência sobre Segurança Pública que ministrará no dia 15 de setembro, no Auditório do CSE, às 19h, o delegado aposentado da Polícia Civil e um dos articuladores do movimento Policiais Antifascistas, Orlando Zaccone, dará um minicurso sobre o que ele chama de “Gestão Política da Barbárie”, apresentando aspectos sobre a Dependência, Guerra, Segurança Pública e Militarização na América Latina, nos dias 16 e 17 de setembro, pela manhã.

Inscrições aqui

Partindo da crítica marxiana do fetichismo e das crises capitalistas, passando pela formulação de Rosa Luxemburgo sobre a alternativa histórica entre socialismo e barbárie, serão examinadas principalmente as contribuições de Marildo Menegat acerca da crise estrutural do capital, da barbárie permanente e de suas formas políticas de gestão.

A discussão será articulada à tradição latino-americana da teoria da dependência, especialmente às contribuições de Ruy Mauro Marini, buscando compreender como a crise global do capitalismo se manifesta de maneira desigual entre centro e periferia. A dependência será analisada não apenas como subordinação econômica, mas também como chave para pensar as formas contemporâneas de administração política, territorial e militar da crise na América Latina.

O minicurso dará atenção especial à segurança pública como dispositivo de gestão da barbárie, examinando a crescente centralidade das forças policiais na administração de territórios e populações, no controle da circulação, na construção do inimigo interno e na produção de zonas submetidas a formas diferenciadas de presença estatal. Serão discutidas a transformação da questão social em questão de segurança, a militarização das áreas pobres, as chamadas prisões a céu aberto e a expansão de mecanismos de vigilância, contenção e controle territorial.

Serão abordados ainda a transformação histórica da função da guerra, as guerras de ordenamento, a militarização da vida cotidiana, a crise do político, o estado de exceção, a economia de pilhagem e as formas contemporâneas de intervenção política, econômica e militar sobre os países periféricos.

Primeiro encontro – dia 16 – 9h – Mini Auditório – sala 217 – CSE/Bloco D

Da crise do capital à barbárie permanente: dependência e periferia latino-americana
• Fetichismo da mercadoria e do capital; valorização e crise; a “barbárie momentânea” em Marx.
• Imperialismo, guerra e a formulação “socialismo ou barbárie” em Rosa Luxemburgo.
• Crise estrutural e barbárie permanente em Marildo Menegat; transformação do sentido histórico da crise; limites das formas tradicionais de integração pelo trabalho e populações economicamente excedentes.
• Centro e periferia; desenvolvimento e subdesenvolvimento; dependência e superexploração; crise da modernização dependente e especificidades da barbárie permanente na América Latina.

Segundo encontro — dia 17 – 9h – Mini Auditório – sala 217 – CSE/Bloco D
Gestão política da barbárie: segurança pública, guerra e militarização na América Latina
• Gestão política da barbárie e transformação das funções do Estado; crise do político e administração permanente da instabilidade.
• Segurança pública como dispositivo de administração da crise social; expansão das funções policiais e coercitivas; controle territorial e da circulação de pessoas; construção do inimigo interno e militarização das áreas pobres.
• Estado de exceção, territorialização da exceção e prisões a céu aberto; militarização da segurança pública e da vida cotidiana.
• Transformação histórica da função da guerra; guerras de ordenamento e guerra civil de novo tipo; economia de pilhagem.
• Militarização interna e externa da periferia; recursos estratégicos, soberania, dependência e formas contemporâneas de intervenção na América Latina.

Bibliografia básica
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista.
LUXEMBURGO, Rosa. A crise da social-democracia — Panfleto Junius.
MARINI, Ruy Mauro. Dialética da dependência.
MENEGAT, Marildo. A crítica do capitalismo em tempos de catástrofe: o giro dos ponteiros do relógio no pulso de um morto e outros ensaios. Rio de Janeiro: Consequência, 2019.
MENEGAT, Marildo. A guerra não tem paz: estudos sobre o sentido violento e destrutivo do fetichismo do capital. Rio de Janeiro: Consequência, 2024.
MENEGAT, Marildo. “Noites brancas: o Exército como regulador imediato da gestão da barbárie”. Geografares, n. 28, 2019.
MENEGAT, Marildo. “Prisões a céu aberto”. In: BATISTA, Vera Malaguti; ABRAMOVAY, Pedro Vieira (orgs.). Depois do grande encarceramento. Rio de Janeiro: Revan, 2010.

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