A guerra contra Cuba
Texto: IELA
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Por Rafael Cuevas Molina - Presidente AUNA-Costa Rica em 19 de janeiro de 2026
Concorrem 20 candidatos. Laura Fernández Delgado, de 39 anos, é a candidata da situação, Partido Pueblo Soberano
Em 1º de fevereiro, os costarriquenhos vão às urnas. Devem eleger o presidente e os 57 membros da Assembleia Legislativa. Essas eleições estão em sintonia com os tempos na América Latina, tanto na forma quanto no conteúdo: a proeminência das mídias sociais, a maioria dos candidatos de direita e a apatia pública.
A Costa Rica teve um regime político atípico para a região. Sua consolidada democracia liberal baseou-se, na segunda metade do século XX, em uma sociedade com desigualdades mitigadas por um estado de bem-estar social construído a partir da década de 1940.
Na década de 1980, em consonância com a corrente global dominante, o país modificou gradualmente esse modelo de desenvolvimento, adotando o Consenso de Washington, que reconfigurou seu perfil social para um com significativas disparidades sociais. Assim como na Europa, os principais impulsionadores desse novo modelo de desenvolvimento foram as mesmas forças políticas que anteriormente promoveram o Estado de Bem-Estar Social: os social-democratas e outros movimentos reformistas, como os democratas-cristãos. Esses partidos também passaram por uma profunda transformação de seu aparato político, deixando de ser organizações ideológicas e baseadas em quadros para se tornarem máquinas eleitorais sustentadas pelo clientelismo e pela corrupção.
Ao longo dos anos, essas mudanças levaram ao descontentamento, à raiva e à frustração entre a maioria dos grupos sociais excluídos dos benefícios do modelo. Na Costa Rica, esses grupos são as regiões urbanas e rurais periféricas, onde os resquícios da estrutura institucional do Estado de Bem-Estar Social estão se deteriorando.
Pelo menos dois países dentro da mesma nação. Um para aqueles que desfrutam de salários competitivos, moradia com todas as comodidades, educação de qualidade e boa assistência médica privada; e outro para aqueles que mal conseguem encontrar um emprego com salário mínimo e vivem sob a constante ameaça do desemprego. Eles precisam enfrentar filas intermináveis no escritório da Previdência Social e agendar consultas com dois, três ou quatro anos de antecedência, e têm sorte se conseguirem construir uma casa pré-fabricada de 30 metros quadrados.
Essa situação de precariedade permanente contribuiu para a penetração do narcotráfico e suas consequências, principalmente a violência, que atingiu níveis sem precedentes no país. Segundo pesquisas realizadas por institutos de pesquisa das universidades públicas mais prestigiadas do país e da região, o problema da insegurança é o mais urgente para os costarriquenhos.
Como se pode observar, muitos dos padrões vistos no restante da América Latina se repetem na Costa Rica e, assim como em outras partes do continente, propostas linha-dura estão ganhando terreno entre a população. As do presidente salvadorenho Nayib Bukele são especialmente populares, e o governo se dedicou à construção de um presídio nos moldes do presídio CECOT, em El Salvador.
O próprio Nayib Bukele esteve recentemente na Costa Rica em campanha para apoiar os candidatos à presidência e ao Congresso do partido governista, considerado um dos favoritos para a vitória nas eleições.
Esta é uma máquina política, como tantas outras no atual cenário político, onde uma horda de oportunistas medíocres, dispostos a vender a alma ao diabo por uma cadeira na Assembleia Legislativa ou algum outro cargo dentro do aparato estatal, se envolvem em intrigas e táticas desonestas.
Caracterizam-se pela agressividade e por um discurso direcionado a um bloco eleitoral ressentido com anos de negligência e frustração na área da educação. Preocupantemente, tendem ao autoritarismo e mantêm relações obscuras com grupos criminosos envolvidos com o tráfico de drogas e outras atividades ilícitas, que conseguiram infiltrar-se inclusive na própria estrutura do aparato estatal.
O principal exemplo desse novo comportamento político é Donald Trump, mimado e arbitrário, mas na Costa Rica, é o próprio presidente que aproveita todas as oportunidades para denegrir seus oponentes com linguagem e gestos vulgares, e se deleita em criticar as instituições existentes que os costarriquenhos construíram com tanto esforço desde o início de sua independência, em 1821.
Ele goza de grande popularidade, assim como os partidos políticos que afirmam ser afiliados a ele, porque as pessoas se sentem vingadas por alguém que insulta e denigre aqueles identificados como a causa de seus problemas, especialmente os partidos e políticos que originalmente ajudaram a estabelecer o Estado de bem-estar social, mas que depois desfizeram o que haviam construído.
Diante desse panorama, o futuro imediato parece sombrio. A continuidade do atual governo no próximo mandato só agravará os problemas descritos e certamente acentuará as características de um governo autoritário.
Há muito em jogo, embora não seja a primeira vez que isso acontece. Já houve alertas no passado, quando um candidato religioso fundamentalista quase venceu a eleição presidencial há oito anos. Naquela ocasião, a oportunidade acabou sendo dada a um jovem político de um partido social-democrata emergente, que deveria reverter o processo iniciado na década de 1980, mas foi um fiasco e, em vez disso, radicalizou o descontentamento que agora ameaça trazer políticos de volta ao poder por mais quatro anos, políticos que poderiam mudar o panorama sociopolítico tradicional da Costa Rica.
Todos estão aguardando para ver o que acontece.
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