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EUA: a caçada aos imigrantes

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Por Elaine Tavares em 26 de janeiro de 2026

EUA: a caçada aos imigrantes

Enfermeiro assassinado tinha um celular na mão e não uma arma.

As manifestações gigantescas no estado de Minnesota, Estados Unidos, em protesto contra as ações dos agentes de imigração, responsáveis por dois assassinatos de estadunidenses, são importantes, mas parecem não apontar para um “guerra civil” como tem sido divulgado por alguns analistas. É bastante claro que os dirigentes do estado de Minnesota e da cidade de Minneapolis são adversários políticos de Donald Trump, daí a sua insistência em manter as ações do ICE. Parece óbvio que tudo o que ele quer é colapsar o estado, prática bastante conhecida por nós, latino-americanos, que temos sofrido as ações dos Estados Unidos por séculos.

Mas, é preciso também compreender que há uma massa importante de estadunidenses que apoia as caçadas humanas contra os imigrantes. Há, inclusive, imigrantes que apoiam isso também, já sentindo-se “mais iguais”que os que hoje estão buscando morada no país. Não esqueçam que durante a campanha de Trump era bastante expressiva a porcentagem de imigrantes com seu bonezinho de “fazer a América grande outra vez”.

É certo que o terror imposto pelos agentes do ICE tem gerado indignação e protestos e há um grupo também expressivo de social-democratas, liberais, que, neste momento estão se colocando contra as prisões. Mas, também é bom lembrar que os Democratas, quando no poder, igualmente perseguiram e prenderam imigrantes, claro, sem as ações espetaculosas de agora. Daí ser importante trazer à memória que o “simpático” presidente Barack Obama foi o que mais deportou imigrantes, chegando a uma cifra de três milhões de pessoas nos seus dois mandatos.

Os Estados Unidos atingiu em 2025 um recorde histórico da população imigrante. Já se contabilizam 15,8% da população total, o que significa que somam mais de 53 milhões de pessoas. Deste número, 43% são já naturalizados, portanto, cidadãos estadunidenses. Perto de 5%, ou 11 milhões de pessoas, são indocumentados, chamados de “ilegais”. A maioria dos imigrantes, cerca de 50% são oriundos da América Latina, e 28% de países asiáticos.

Os imigrantes também somam 18% da força de trabalho no país, o que não é pouca coisa. Ainda assim, uma pesquisa divulgada na semana passada pelo jornal New York Times, revela que 40% dos estadunidenses aprovam a política anti-imigrantes de Trump. E os índices são praticamente os mesmos no que diz respeito ao ataque à Venezuela e ao controle leonino dos muros na fronteira, espaço originário do ICE.

É fato que nos Estados Unidos existem instituições e pessoas que realmente se importam com a situação dos migrantes. Alguns, por compreensão política, outros por piedade cristã. E têm atuado sistematicamente na defesa do direito de permanência. Renee Nicole Good, assassinada pelo ICE em Minneapolis, era uma observadora legal, voluntária que monitora ações da polícia em protestos, visando garantir os direitos dos manifestantes. Alex Pretti era enfermeiro de UTI, amante da natureza, e decidiu se juntar aos protestos depois da morte de Renee por não concordar com as ações violentas.  Pessoas comuns, estadunidenses típicos, mas com alguma sensibilidade social.

Há uma batalha entre os poderes nos Estados Unidos e isso não é coisa rara. Os estados tem autonomia por lá e não aceitam muito bem intervenções federais. Neste momento, Minnesota exige do judiciário a saída dos agentes do ICE do estado. O julgamento deverá se dar ainda esta semana. Caso isso aconteça pode arrefecer os ânimos.

De qualquer forma o Congresso estadunidense, que representa o todo da nação, está conivente com tudo o que tem acontecido no país já que ao longo do último ano apoiou a expansão desenfreada tanto do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) quanto da Patrulha da Fronteira, com um investimento bilionário que garantiu intensa campanha de recrutamento. Nestas campanhas, como revela o jornal New York Times, os anúncios de emprego, chamando jovens para atuar nestes setores de segurança interna apresentam imagens de estilo militar, como agentes usando equipamentos táticos e dirigindo veículos de combate, bem ao gosto do espírito bélico que define o país. Eles se referem à imigração como uma “invasão” e aos imigrantes como “inimigos”. mais de 120 mil novos agentes foram contratados. É uma vital campanha ideológica contra os imigrantes que encontra eco no coração de quem acredita estar sendo ameaçado. Daí a violência desatada.

A situação é tensa, mas ainda longe de um estalo maior. Há que acompanhar.

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