Senado aprova o fim da escala 6 x 1
Texto: Elaine Tavares
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Sempre que precisa de alguma justificativa para invadir países, os Estados Unidos inventam algum inimigo ou alguma mentira totalmente inverossímil. Essa técnica vem sendo usada desde o começo do 1800 e é verdadeiramente incrível que ainda surta efeito. O inimigo da vez agora é o narcoterrorista, que para os EUA é qualquer pessoa que se contraponha aos seus interesses ou de seus aliados. E claro, a mídia hegemônica internacional se encarrega de difundir os novos inimigos, bem como as mentiras que os cercam.
Foi assim na Venezuela. A acusação que pesa sobre Nicolas Maduro é de que ele seria um narcoterrorista, inclusive dirigente de um cartel. Com base nisso ele e a esposa, deputada Cilia Flores, foram sequestrados e mantidos na cadeia, no território estadunidense. Mesmo que os fatos tenham sido desmentidos com a comprovação de que o tal cartel nunca existiu, Maduro segue preso e sem julgamento à vista. Ora, os fatos não importam. O que vale é que Maduro precisa ficar fora da Venezuela para que a riqueza do país seja saqueada, e ponto final. A mídia entreguista divulga o tema como algo absolutamente natural.
Outro crime cometido sistematicamente pelos estadunidenses na costa da América Latina é o da execução sumária de qualquer pessoa que seja encontrada pelos barcos do Comando Sul, navegando em alguma embarcação pequena. Simplesmente eles alegam que estas pessoas são narcotraficantes e bombardeiam o barco. Não há provas, não há identificação das pessoas, não há nada. E como a mídia divulga? “Narcoterroristas são surpreendidos por barcos estadunidenses”, e, com isso justificam o assassinato de pessoas que, mesmo que fossem traficantes, deveriam ser presas e julgadas. Só que ninguém sabe se são traficantes ou não. Não importa. Isso serve para manter o terror nos mares e o “inimigo” em ação.
Neste dia 19 de setembro, mais uma barco foi atacado, totalizando 79 desde setembro do ano passado. Com a execução de mais quatro pessoas, a soma chega a 230 supostos “narcoterroristas” assassinados, sem qualquer possibilidade de defesa. Tudo o que se tem é “palavra” do Comando Sul.
Na costa do Equador, onde boa parte das execuções é efetuada, os pescadores tem desencadeado uma onda de manifestações, acusando que muitos dos que foram mortos eram simples trabalhadores do mar que precisam chegar mais longe da costa para pegar o peixe. Eles denunciam torturas, prisão ilegal, desaparecimentos e destruição das suas ferramentas de trabalho. Apesar das mobilizações os trabalhadores não encontram respaldo nem no judiciário equatoriano, nem no presidente Noboa, aliado dos EUA.
Em nível internacional não se escuta sequer um pio sobre os atos criminosos do Comando Sul. Tudo é divulgado como se fosse uma necessária ação de “limpeza”, com os EUA “ajudando” a combater o narcotráfico. Ora, como se sabe, os militares estadunidenses ocupam a Colômbia há décadas, com várias bases instaladas pelo país, sem que o narcotráfico tenha sofrido qualquer tremor. Afinal, todas essas operação estão muito bem arranjadas dentro do que o delegado da polícia civil aposentado, Orlando Zaccone, chamada de “gestão da barbárie”. Todas essas operações nada mais são do que o processo de administração do “negócio”, do qual, inclusive, os Estados Unidos parecem ser sócios, já que é esse país o maior consumidor da droga produzida na Colômbia, por exemplo.
Países como Colômbia, Equador e Bolívia estão visceralmente vinculados a esse novo delírio dos EUA e igualmente tratam qualquer opositor interno como narcoterrorista, afinal, fazendo assim, estão deixando o caminho aberto para o extermínio daqueles que não compactuam com suas decisões. E a coisa é tão aberta que todos eles mantêm o estado de exceção no país como medida preventiva ao narcoterrorismo. E, como se sabe, estado de exceção significa a suspensão de todas as liberdades. Ou seja, não há necessidade de processo ou de seguir caminhos legais para prisões e/ou execuções. O caminho da barbárie aberto sem retoques, e sem que ninguém questione o totalitarismo das ações.
Nos demais países da América Latina a figura do narcoterrorista também vai criando contornos. Até mesmo no Brasil já é assim que a mídia chama crimonosos comuns, inclusive os adolescentes que servem de mula ou avião do tráfico nas comunidades. Uma maneira bastante eficaz para criar o medo e justificar o extermínio/prisão de pessoas consideradas “sobrantes” pelo sistema. Tudo feito fora da lei. Assim, a segurança da classe dominante é garantida, a segurança dos negócios é garantida e o sistema segue firme, azeitado pelo sangue da maioria da população.
Texto: Elaine Tavares
Texto: Lautaro Rivara
Texto: Karla Fuentes García e Aldo Martínez Girón
Texto: Caio Teixeira - Jornalista