Meu amigo Ricardo Frota D’Alburqueque Maranhão
Texto: Gilberto Felisberto Vasconcellos
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Fotos: Samantha Santana
Até onde a cultura brasileira está rendida à indústria do entretenimento imposta pelo capital? Este foi o centro do debate realizado ontem com o poeta Valmir Jordão nas Jornadas Bolivarianas. Pernambucano de Recife, ele singularizou esta realidade contando como uma das festas mais tradicionais da cultura nordestina, o São João, está excluindo artistas locais em nome dos grandes shows. Tradições como o frevo vassourinha e o forró raiz dão lugar a cantores do agronejo e do brega. “E essa realidade a gente observa em todos os lugares. O que tem a ver Titãs com o São João? Nada contra eles, mas nesta festa este tipo de música não é adequado”.
Outro elemento discutido foi a poesia. Citando grandes poetas brasileiros como Gregório de Mattos, Castro Alves, Cruz e Sousa, Bandeira e Drummond, que criaram obras importantes dando conta da realidade brasileira, Jordão analisa que a sistemática destruição da educação acaba influenciando a construção do poema. Há uma degradação exponencial da língua portuguesa, da construção poética e da compreensão política. “A música, por exemplo, não oferece mais letras poéticas. É muito lixo”.
A cultura popular, tão rica e tão diversa, vem sendo apagada por imposições mercadológicas que, ao fim e ao cabo, empobrecem cada dia mais as expressões culturais e a própria compreensão da realidade. Os poetas, escritores, artistas de toda ordem que não rezam pela cartilha da indústria, ficam à margem, sem espaço para se expressar.
A conferência e o debate em breve serão disponibilizados no canal.

Texto: Gilberto Felisberto Vasconcellos
Texto: Michel Goulart da Silva
Texto: Elaine Tavares
Texto: Elaine Tavares