Operação Três Passos
Texto: IELA
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No Peru, avançam as mineradoras
24.11.2013 – Movimento social peruano denuncia que 45% do território agricultável do país está hoje concessionado para empresas que deverão explorar a prata e o cobre, o que deve geral lucros milionários para as empresas privadas e prejuízos incalculáveis para os camponeses peruanos . O dado foi levantado por um trabalho realizado pela congressista Veronika Mendoza. Ela está apresentando no Congresso uma proposta de ordenamento territorial. “Para os camponeses, a terra tem um significado vital. Representa uma deidade, bem como a única herança que possuem”, diz a deputada, denunciando que a disputa de terras tem sido hoje a principal causa de conflitos sociais no Peru.
Veronika ainda ressalta que o estado peruano está entregando para mãos privadas terrenos onde vivem povoações inteiras, e que isso precisa parar, para que a população possa produzir e viver em paz. Um exemplo disso acontece no distrito de Morococha, em Junín. Mais de cinco mil pessoas deverão ser desalojadas para outro município porque ali, na terra onde viviam por décadas, será instalado um projeto de mineração que pretende explorar mais de um milhão de toneladas de cobre e prata. O governo alega que essas terras são do estado, logo, passíveis de desapropriação. O projeto da deputada Veronika pretende identificar as áreas hoje ocupadas por agricultores, as áreas protegidas, as áreas indígenas e as de região urbana. Assim, ficaria mais fácil para o estado realizar suas parcerias com as mineradoras, impedindo que terras ocupadas fossem entregues em concessão, bem como protegeria espaços ambientais que precisam ser protegidos. Enquanto isso não é feito, ela pede que as concessões fiquem congeladas, para não causar mais conflito.
O governo alega que nem toda terra que foi entregue em concessão será explorada, mas, mesmo assim, as comunidades e os movimentos sociais sabem muito bem os males causados pelas mineradoras e não acreditam muito que elas terão algum cuidado com o ambiente ou com as pessoas. Assim, mesmo que a proposta passe a áreas sejam levantadas, nada impede que as mineradoras sigam ocupando espaços dos camponeses. Por isso, a luta e a organização seguem firmes.
Texto: IELA
Texto: Mário Maestri
Texto: Fernanda Uribe - Professora/UNAM
Texto: Lautaro Rivara