Bloqueio estadunidense a Cuba com números históricos em 2020

10 de Dezembro de 2020, por Isaura Diez Millán

 


Antes de deixar a Casa Branca, a administração de Donald Trump deixa em 2020 números inéditos dos prejuízos causados pelo bloqueio contra Cuba, intensificados durante a pandemia.
Segundo o Ministro das Relações Exteriores da ilha, Bruno Rodriguez, pela primeira vez em seis décadas esta política hostil causa perdas superiores a cinco bilhões de dólares em um ano.
O governo dos EUA intensificou as medidas antes do Covid-19 porque ‘é um ato de guerra econômica’, disse ele durante a apresentação do relatório sobre os efeitos do bloqueio.

A ilha não tem acesso às tecnologias médicas e insumos dos Estados Unidos e de países terceiros, com um componente de até 10% proveniente do país do norte. Segundo Rodriguez, isto faz com que Cuba enfrente ‘enormes dificuldades’ na obtenção de equipamentos e matérias-primas para a produção de medicamentos contra a SARS-CoV-2.

Por outro lado, as doações e compras no exterior não puderam se materializar devido às sanções que fazem parte do bloqueio. Outros sinais de agressão são a campanha contra a cooperação médica cubana, os impedimentos à renovação das licenças das empresas, a redução extrema no transporte aéreo e o ataque aos embarques.

De fato, a empresa norte-americana Western Union deixou de entregar remessas a Cuba devido às medidas unilaterais tomadas pelo Governo dos Estados Unidos para impedir tal atividade na ilha.

A aplicação extraterritorial do bloqueio também foi agravada entre 2019 e 2020 porque o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros impôs 12 penalidades a entidades americanas e de países terceiros que excederam 2.403.985.125 dólares.

Por outro lado, os procedimentos legais foram iniciados sob a Lei Helms-Burton pela primeira vez em 23 anos.

Dalia González, pesquisadora do Centro de Estudos Hemisféricos e Americanos da Universidade de Havana, advertiu que muitas das medidas coercitivas tomadas pelos Estados Unidos eram baseadas em uma estratégia eleitoral. Segundo a professora, Donald Trump procurou com isso seduzir os votos da comunidade cubano-americana da Flórida devido à sua importância como estado de balanço.

No entanto, a política hostil da Casa Branca também prejudica os estadunidenses, razão pela qual inúmeras vozes de diferentes setores se uniram este ano para pedir o fim do cerco.

Na opinião do ativista cubano-americano Carlos Lazo, o bloqueio limita suas liberdades, impede os americanos de acessar os medicamentos da biotecnologia cubana e os mercados da ilha, para citar alguns exemplos.

A ativista americana Angelica Salazar disse que as ações da Casa Branca a impedem de realizar seu trabalho em programas educacionais com o Martin Luther King Memorial Center, a Universidade de Havana e a Casa das Américas.

De acordo com dados oficiais, entre 2019 e 2020 os Estados Unidos aplicaram 17 medidas coercivas para impedir que americanos e cubanos que vivem naquele país voassem para a ilha.

De fato, o presidente republicano Donald Trump proibiu viagens turísticas a Cuba, voos fretados, cruzeiros, aviões e barcos privados, e até fechou os chamados contatos ‘de povo para povo’.

Além disso, as políticas dos EUA contra Cuba afetam o desenvolvimento de setores com alto impacto social na ilha.

Fontes oficiais expõem perdas de abril de 2019 a março de 2020 na área da saúde na ordem de 160.260.880 dólares, os efeitos no setor da educação são estimados em US$ 21,2 milhões, enquanto na alimentação e agricultura os danos são contados em US$ 428.894.637.

Recentemente, o presidente eleito dos EUA, Joe Biden, expressou sua intenção de adotar uma nova abordagem em relação a Cuba e descreveu a atual política da Casa Branca como um fracasso total.

Neste sentido, o Ministro das Relações Exteriores cubano reiterou que a ilha tem o apoio majoritário da comunidade internacional, portanto, a política de Washington aumenta o descrédito e o isolamento daquele país.

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Texto publicado originalmente em Prensa Latina