Cuba e a luta contra o racismo

24 de Maio de 2022, por Elaine Tavares

Foto: Ismael Batista Ramírez
Foto: Ismael Batista Ramírez

No último dia 23 de maio, Cuba iniciou as celebrações dos 59 anos do nascimento da Unidade Africana que, nos anos 1960, nasceu para garantir a união na luta contra o colonialismo e o racismo. Naqueles dias, a coincidência entre a luta dos Estados africanos e a revolução cubana foi o ponto de partida para que estes países iniciassem uma caminhada de cooperação e solidariedade. E foi assim que a pequena ilha do Caribe teve participação decisiva em vários processos de libertação de países do continente africano, tais como o Congo e Angola. Jorge Risquet e Che Guevara foram os comandantes militares de duas importantes colunas de cubanos que lutaram na África. Quase três mil cubanos caíram em batalha, numa luta concreta contra os regimes racistas e colonialistas. 

Neste dia 23, em uma cerimônia marcada pela emoção, Joel Queipo Ruiz, membro do Secretariado do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e chefe do Departamento Econômico-Produtivo, lembrou os mártires que entregaram sua vida para que os nascentes estados da África pudessem palmilhar o caminho para a liberdade. Como sempre acontece em Cuba, a memória é evocada, não apenas para garantir a honra aos combatentes, mas para consolidar o internacionalismo, marca registrada do governo e do povo cubano.  

As homenagens se inserem na programação do Dia da África, que é comemorado no dia 25 de maio. “A maior das Antilhas rende homenagens aos cubanos que sangraram e deram sua vida pela liberdade dos africanos e sempre reconhecerá sua condição de país latino-caribenho-africano”, afirmou Ruiz, antes de depositar um coroa de flores no Panteão dos Veteranos das guerras de independência e internacionalistas. 

Cuba é, sem lugar a dúvidas, o país latino-americano que mais contribuiu na batalha contra o racismo, não apenas na discussão do tema, mas enviando seus filhos para enfrentar os regimes mais selvagens do planeta que se apropriaram das terras do continente africano, as recortaram e tornaram seus povos seres de segunda categoria. Foram quase 40 mil soldados que pisaram o continente, dispostos a garantir o fim do colonialismo e a liberdade.