De eleições e de política

9 de Dezembro de 2020, por Carlos Walter Porto-Gonçalves


Os recentes resultados das eleições municipais de 2020 no Brasil oferecem importantes lições às esquerdas a começar pelo reconhecimento de que foi submetida a uma fragorosa derrota. Nada menos que 82% das prefeituras foram ganhas por partidos de centro-direita. Não tergiversemos a dialética vendo alguma vitória no quadro eleitoral que emanou das urnas. Não sejamos terraplanistas à nossa maneira.

As eleições são um bom termômetro da correlação das forças políticas num momento dado, com todas as assimetrias que se colocam à partida desses processos. A não ser com a ilusão liberal podemos aceitar que se trata de uma luta entre iguais. Longe disso, e não só pelo poder econômico, poder que não está ele mesmo submetido a eleições, diga- se de passagem, mas também pelas relações sociais e de poder que constituem os diferentes grupos/classes sociais que se põem em disputa pela representação política. Não está em questão nesta reflexão a legitimidade ou não dos que foram eleitos que, de uma forma ou de outra, aceitaram o jogo. Os vencedores são, dentro dessa ordem, legítimos, o que não impede que reflitamos sobre o significado dessa ordem e sua legitimidade em si mesma. 

LEIA AQUI O TEXTO NA ÍNTEGRA