Médico da família em Cuba

6 de Janeiro de 2022, por Elaine Tavares

Foto: José Manuel Correa
Foto: José Manuel Correa

Dentre os inúmeros ganhos da revolução cubana, a garantia de um atendimento de saúde universal, rápido e próximo é um dos mais significativos, porque, afinal, ter saúde é a condição necessária para uma vida boa. Fidel Castro, quando iniciou a caminhada para a destruição da ditadura era um jovem advogado de família abastada, mas sabia muito bem como vivia sua gente. E, depois, na longa aventura da luta em Sierra Maestra, mergulhou profundamente no cotidiano das gentes do interior, sistematicamente abandonadas à própria sorte num sistema colonial e explorador da vida. Com ele caminhava Che Guevara, médico argentino, que já conhecia as entranhas dessa nossa América grande e as impossibilidades de saúde dos trabalhadores. Não foram poucas as vezes que, durante a revolução, el Che viveu o dublê de guerrilheiro/cuidador, usando com toda a paixão tanto o fuzil como seu conhecimento médico para aplacar o sofrimento dos companheiros. 

Quando a revolução triunfou, aqueles homens e mulheres que arriscaram suas vidas para exterminar a ditadura sabiam que haveria uma tarefa gigantesca para cumprir na ilha que se libertava. E a primeira coisa a fazer foi levar a educação para todos. E foi assim que partiram batalhões de jovens por todos os cantões em brigadas de alfabetização. Com o passar do tempo a formação do povo cubano deu um salto, com a possibilidade de estudos superiores para toda a gente. 

Outro nó a ser desatado era o da saúde pública. E foi preciso muito tempo para que uma geração de médicos fosse formada, garantindo o atendimento universal. Assim, em janeiro de 1984 o presidente Fidel Castro colocou para andar o Programa Médico e Enfermeiro da Família, que tinha como objetivo levar a saúde na porta de casa estabelecendo um elo seguro com o bem-estar das famílias cubanas. O programa teve início no bairro Lawton, em Havana, atendendo primeiramente 120 famílias. A inspiração vinha da ideia de médicos de família nascida em Sierra Maestra, quando jovens médicos recém-formados empreendiam jornadas Cuba adentro, em terrenos difíceis, montanhosos, dispostos a levar atendimento aos recantos mais longínquos da ilha. 

Com o passar do tempo o programa foi se ampliando e hoje existem mais de 11 mil clínicas e 449 policlínicas. A média é de 122 habitantes por médico e 128 por enfermeiro. Ou seja, ter um atendimento médico em Cuba não é um calvário para ninguém. Se há alguém doente na família, o enfermeiro designado faz visitas domiciliares para acompanhar. Nenhum cubano se sente abandonado na hora da doença. 

Agora, na pandemia, Cuba foi um exemplo de cuidado casa-a-casa, com novamente os estudantes de medicina cumprindo um papel revolucionário, visitando cada residência para orientar as famílias e para cadastrar os doentes. Não bastasse isso, os cientistas se movimentaram para garantir uma vacina eficaz, com matéria-prima local, que pudesse proteger a população. E, apesar de ser um país pequeno e bloqueado, Cuba foi capaz de criar cinco vacinas distintas e, com elas, imunizar toda a população. Foi criado todo um sistema de centros de isolamento e tratamento, viabilizando assim que todas as pessoas infectadas pudessem ser atendidas com rapidez e qualidade. Também foi organizada uma eficaz estratégia de vacinação que, em curto período de tempo, cobriu toda a gente, inclusive crianças. 

Mas, apesar de toda essa complexidade que a pandemia exigiu do sistema de saúde cubano, os médicos e enfermeiros de família  mantiveram também o cuidado individualizado garantindo prevenção de doenças e o cuidado com os doentes crônicos ou com outras enfermidades. O programa segue vivo, ativo e em crescimento, tanto que recentemente foi inaugurado mais um Centro de Saúde de montanha, na localidade de Crucesitas, província de Cienfuegos. 

Essa é só uma das muitas coisas extraordinárias promovidas pela revolução e pelo socialismo. Porque no sistema cubano, a prioridade é o povo cubano. 

Com base nessa realidade material e palpável, como é possível ainda existirem pessoas que acreditam que o socialismo é algo a ser combatido? A resposta é simples. Quem combate o socialismo são os que historicamente enriquecem às custas da exploração dos trabalhadores e da miséria das gentes. No capitalismo, saúde é mercadoria e só vive quem pode pagar. O drama vivido pela população brasileira, por exemplo, nesses anos de pandemia, sem atendimento, sem hospitais, sem remédios, é algo inimaginável para um cubano. 

Cuba em 11 milhões de habitantes – o equivalente a população do estado do Rio Grande do Sul. Cuba teve 8.324 mortes por Covid. 

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Com informações do Granma