O Chile vai às urnas

11 de Maio de 2021, por Elaine Tavares


O fim de semana, 15 e 16 de maio, será de muita mobilização no Chile. Mais de oito milhões de pessoas estão aptas para eleger prefeitos, vereadores, governadores regionais e mais os 155 nomes que comporão a nova Constituinte Nacional. Será o ápice de um longo processo de lutas que a população tem protagonizado para garantir democracia, direitos e mudanças. A lei maior que rege hoje os chilenos foi escrita ainda no governo do ditador Augusto Pinochet.

Esse momento chileno não chegou do nada, ele foi o resultado das intensas e gigantescas mobilizações das gentes organizadas nas jornadas de 2019. Lutas que começaram a partir dos estudantes secundaristas que se recusavam a pagar o aumento na tarifa do metrô. A ação violenta da polícia levou outros movimentos às ruas e as demandas populares começaram a ser colocadas em foco: custo de vida alto, problemas do sistema de saúde, na educação, salários baixos. A violência estatal cresceu e os protestos também chegando então à consigna unificada de exigência de uma nova Constituição.

A pressão popular foi tão grande que o governo acabou sendo obrigado a ceder dizendo que faria um plebiscito para que a sociedade pudesse se manifestar. A votação sobre ter ou não uma nova Contituição aconteceu só um ano depois, em 2020 e a vitória do sim foi abrumadora, quase 79%. Sem saída, Sebastiãn Piñera foi obrigado a encaminhar.

Os chilenos lograram uma importante vitória garantindo uma formação exclusiva só para redigir a nova carta. Serão 155 pessoas escolhidas pelo voto popular com a vantagem de terem sido possíveis as candidaturas independentes, ou seja, sem a intervenção partidária. Nesse sentido, os protagonistas dos protestos de 2019, dos mais diversos movimentos, estarão disputando. Foram conquistadas 17 cadeiras apenas para os povos indígenas, sendo uma para cada etnia, exceto os mapuche que terão direito a sete e os aymara, com duas. Apresentaram-se mais de três mil candidatos, sendo que 2.200 são independentes. Ainda assim, os candidatos vinculados aos partidos tradicionais são os que têm as melhores chances já que contam com estruturas nacionais e recursos financeiros. Será necessário um grande esforço por parte dos independentes para garantir espaço.

A Constituinte terá paridade de gênero e um prazo de nove meses para entregar a nova lei, podendo esse tempo ser estendido caso necessário.

Os estudantes, professores, camponeses, trabalhadores urbanos e povos indígenas que foram para as ruas protestando contra os mais de 30 anos de neoliberalismo no país esperam mudanças substanciais que, ao que parece, não serão fáceis de serem conquistadas, afinal, a classe dominante está alerta e pronta para não deixar as coisas saírem do controle. As mudanças pela via institucional são lentas e há quem aponte que o processo certamente trará novas lutas para a população chilena.

Por agora, o clima é de otimismo.